22 setembro 2005

Legendinha não-mínima da foto que eu coloquei aqui, que levou uma multidão às lágrimas, todas as pessoas juntas agora chorando: buá-á-á

Descobri que eu não sei tomar decisões. Eu sempre soube tomar decisões, quer dizer, eu achava que. Tipo as pessoas nos antigamentes vivendo faceiras e sorridentes em suas tribos e com tantos questionamentos a respeito da vida, da natureza, das coisas, mas principalmente sobre a natureza e como as paradas naturais acontecem e encontrando sensacionais respostas pra tudo.

(As questãs que agoniavam as pessoas nas tribos:
  1. que machadinha é melhor pra matar um bicho pra gente comer?: a mais afiada e pontiaguda, eu diria, beibe; ou
  2. se eu usar essa treca aqui, será que serve melhor que comer com a mão fazendo concha?: pourra! e não é que é massa usar essa treca a que darei o nome de colher?; ou
  3. por que cazzo é que cai água lá de cima, caraia?: só pode ser o deus da chuva, caras. E vamo todo mundo ajoelhando agora pra chover mais e o milhinho crescer e a gente ter comida (ai, dúvidas: será que nesse tempo desses questionamentos já tinha milhinho sendo domesticado que bem bicho? - ah, pourra, vai catar milhinho, não é pra ser uma aula de história barra antropologia barra qualquer assunto inteligente. I'm just making conversation.)
Enfim. Eu já tomei decisões drásticas na vida. Eu podia botar um linquizinho aqui pra um outro blog que era uma vez eu tinha, mas nem. Preguiiiiiiiça de guglar. Não quero. Era uma vez uma mulher bêbada, uma vizinha anônima, numa festa de um amigo por quem eu tinha uma certa afeição mais que fraterna (ouquei, já vou dizendo que não rolou um amor - chora). Não era bem uma festa porque tava chata que nem te conto, as pessoas todas batendo muitos papos cabeças sobre as poesias, as rimas, o sentimêinto (sotaque de paulistano(a)), a emoçÃO (com maiúsculas para fins de efeito) e eu na sacadinha fumando um mauboro e tomando uma porque eu nem tava a fim. Aí a mulher contou da vida dela toda, enquanto todas as pessoas me olhavam com olhinhos de ódio, daqueles olhares que fazem a gente espremer os olhos. E a história da mulher era assim: [insira aqui toda a lenga lenga que sua imaginação pedir, um papo bem mulher de 40, divorciada, minha vida está acabada, eu faço teatro pra fingir que tenho outra vida e só faço pegar e levar filhos em e a lugares, inclusive meu filho mais novo tá dormindo sozinho no apartamento ao lado e eu tô muito LOUCA] e eu visualizei, nitidamente, um grande L na testa daquela mulher. Tipo assim:


(mas sem a carinha de oncinha, tá?) Pra ela ser mais L, só se eu tentasse visualizá-la sem roupa, com pelancas, estrias e celulites e todo um pacote dessas coisas que nós, mulheres fúteis, tememos. Aí eu não quis ser aquela mulher no futuro e resolvi largar de ser advogada. E fui feliz. The end. Tá me acompanhando?

Aí. Aí que eu enfrento questãs muito importantes na vida nesse momento. Daquele tipo-assim (adouro 'tipo assim'):

Se você vislumbra a oportunidade de ser feliz, mas isso implica largar sua vida relativamente feliz e sua também relativa estabilidade, então você (marque com um xizinho a opção desejada):
( ) fala "Que se foda, vou me jogar", mesmo com muito medo e partes da sua anatomia (que não os olhos) piscando aceleradamente; ou

( ) resolve que é cagona e não vai tentar ser feliz e vai virar a mulher daquele filme do Clint Eastowood em que ela ãma o personagem de Clint e ele também ãma a mulherzinha, mas ela não tem coragem e vive a vida e quando resolve correr atrás o homem morreu e agora, filha, já era, tarde demais, o primeiro amor passou, o segundo amor passou, o terceiro amor passou, você não lembra mais do resto do poema do Drummond, mas sabe que nesse caso não tem a parte otimista.
Pois é. Agora chega a parte da legendinha não-mínima da foto que eu coloquei aqui, que levou uma multidão às lágrimas, todas as pessoas juntas agora chorando: buá-á-á. Num certo momento dessa manhã dessa quinta-feira, eu resolvi marcar um xizinho na segunda opçã. Aí eu saí pra rua chorando, pra comprar cigarros e me acabar de fumar, não sei antes tirar uma fota de minha pessoa se debulhando em lágrimas muitas e mandar pra outra parte envolvida.

Depois de minutos barra muitos minutos barra mais minutos quase horas, convenci-me de que não deveria adotar em minha vida a postura da mulher em cuja testa visualizei um L na festa do apartamento de meu amigo por quem nutria um sentimento outro que não somente uma bonita amizade e mudei de idéia. Aí passou.

E, pourra, eu queria tanto ter escrito isso no outro blog, o meu próprio. Mas por algum estranho motivo eu me inspiro mais aqui.

10 Comments:

Blogger Thata said...

Ionem, você é a única pessoa que escreve uma legenda DESTE tamanho e agte lê do começo ao fim, sem desgrudar os olhinhos. To achando um luxo (sentiu a entonação gay?) ser parte do mesmo blog q vc!

7:51 AM  
Blogger Samara L. said...

Pronto, dona Ione, com a foto não tinha chorado, mas agora chorei. E concordo com a opinião da Thata sobre escrevermos juntas aqui. E buáááááááá.

8:10 AM  
Blogger Renata said...

e por motivos que só eu entendo nesse momento seu post me fez chorar e pensar que existe alguém que entende como eu me sinto.

:**

10:24 AM  
Blogger Renata said...

e eu não sei colocar vírgulas, você deve ter notado.

10:24 AM  
Blogger Ione said...

Gente, sem chorar, por favor. Porque do jeito que eu estou eu choro junto com vocês. Assim, eu sou capaz de chorar com América, sendo que América só seria de se chorar porque é uma porcaria tão grande.

11:32 AM  
Blogger Dalva said...

Tsc, tsc, tsc... chegou a que NUNCA levou bordoada, a que NUNCA teve dúvidas cruéis.

Gentem: pára com essas tergiversações (!)

Adoro vocês!

PS essas letrinhas aqui em baixo são um saco, heim??

10:43 AM  
Anonymous Natygirl said...

ai ai ai... o que foi que te falei sobre minhocas?

6:14 AM  
Anonymous Renato said...

Isso de chorar, tirar a foto e mandar para a outra parte envolvida é uma das atitudes mais lindas que já vi... Seja feliz, qualquer que seja a opção escolhida (não vou marcar xiszinho em nenhuma).
E você está me devendo um e-mail há anos! Beijo...

9:37 AM  
Blogger Ione said...

Minhocas, Naty! Ãin.

Renato, ainda bem que você achou bonito. Porque, na vida real, foi feio. Hua ha ha ha.

10:03 AM  
Blogger Melyanna said...

É, achei vc por intermédio da Soberana Sada..
É, e vc fez uma tradução do meu mometo... vidas repetitivas, mas a gente sempre acha, que é só conosco..
Não não é..
e eu não chorei, porque acho que não aguento mais.. ^^
Bjs

9:36 AM  

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