03 outubro 2005

dia de chuva

Eu fiquei pensando em como está legal este blog, em como os temas se encaixam e como as peças são tão distintas, tão parecidas e tão plurais ao mesmo tempo.
E vinha há dias pensando em escrever sobre afinidade e intimidade. Em como nos tornamos tão íntimos de pessoas com as quais temos intimidade somente on line e como isso nos dá liberdade de falar sobre tudo e qualquer coisa e sentir que tem alguém lá do outro lado, em outra cidade sentindo o mesmo. E com este pensamento na cabeça e o teclado fora das mãos tive que ir fazer um trabalho na rua. Fui andando e aos poucos a chuva foi caindo e lembrei; "puts! tô sem guarda-chuva!" e imediatamente lembrei do meu amigo Alek's que tá em outra querência - numa querência londrina - e que odeia guarda-chuvas. Sem nenhum constrangimento deixei a chuva molhar meus cabelos recém pintados, minha blusa branca de joaninha e por um instante quase chorei de saudade... não sei nem bem do quê ou de quem, mas tenho tido um aperto no peito e uma falta que não sei explicar. Lembrei o que ele me escreveu e o que eu escrevi para ele noutro dia e pensei: "ele só podia ter me escrito mesmo num dia de chuva! Ah! Esse pirralho lá pertinho da rainha e me dizendo que tá com saudade da nossa terra!"
Então, com este sentimento de melancolia lembrei de um monte de amigos que estão longe do meu abraço mas tão pertinho do meu coração e do outro lado do monitor, sei lá eu a quantos quilometros de distância. Tá bem, faz tempo que não choro assim, sem saber porque, mas... acho que tô precisando me apaixonar e sempre penso que num dia de chuva seria bom, já que a água molha as plantas e as faz crescer. Assim ela molharia meu amor e eu e faria nosso sentimento crescer, crescer, até virar uma figueira centenária cheia de raízes e uma sombra frondosa para matearmos ao pé dela (ou cervejarmos).
É isso!