11 outubro 2005

odeio títulos

isso aí. rótulos também. e eu rotulo horrores. ok, eu falo de amor. de sexo também. de umbigo também. e da gordura na volta dele também.

com 16 eu conheci o grande amor da minha vida. menos de um ano depois, fiquei sabendo que eu era a pessoa que ele gostava. eu tinha corpo de atleta, que escondia, e um cabelão, que eu prendia (correr os 100 metros com o cabelo entrando nos olhos não rola). ele freiou, era romântico, e eu queria saber como eram as coisas, eu queria o tchã-nã-nã. por amor, lógico, mas o tchã-nã-nã. foi na minha cama, na colcha de pelúcia, entre minha estante de livros e o desenho em crayon na parede. doeu, fiquei 3 dias ardendo, e eu gostei. ainda gosto. não tenho vergonha, como eu achava que teria quando eu tinha 12 anos. ralei muito joelho, já fiz coisas que adolescentes fazem e que só depois de 10 anos se dão conta de que podiam ser pegos. sexo, nesse tempo todo aí (fez 10 anos que eu dei a primeira vez), sempre me pareceu coisa de amor. até por isso, dormir de conchinha e tomar banho junto me parece bem mais tri. minha geração, então, amou 20, deu pra 27, ficou com 39, e eu, uma ex atleta que hoje só corre quando vai pegar os ônibus da vida, só dei pra um cara. amei dois, e só dei pra um. isso aí. dei, transei, f***, *fiz amãr*, só pra um. o que me faz falta não é isso, aliás. eu gosto de corpo. de pegar. de sentir. de cheirar. mas se falta a palavra, se falta o beijinho demanhã quando vai embora pro trabalho (mesmo que eu esteja em coma de sono, né, Misha?), se falta me lavar a cabeça com shampoo como se eu ainda tivesse moleira demanhã quando estou morrendo de sono, isso me dói. se me falta isso, eu choro. eu faço beiço. pedaço de carne rasgando lá dentro, delicado ou com violência, pode demorar, pode ser de tremer o lustre, mas simplesmente passa. me deixou um dia sem dar beijinho de tchau, meu mundo cai e eu não suporto.

eu gosto de encaixar o dedo no umbigo. é confortável, quentinho. em torno dele, meu corpo de atleta foi esmagado por uma moça muito confortável, de óculos, que só tira fotos de si mesma com a máquina lá no alto, pra não aparecer a papada... eu sou grandona, e adoro falar de mim. é engraçado, mas com esse tamanho todo, eu preciso de colo. tenho peitões, e se eu dou uma porrada em alguém é capaz da pessoa achar que foi esmagada por um Scania. mas experimenta não me lavar o cabelo com shampoo demanhã enquanto eu me esforço pra acordar.

eu dei só pra um cara. o meu amor. pode ser que seja até o fim, pode ser que seja apenas o primeiro. mas eu dei, tá dado. só pra um cara. eu disse, eu não sei falar de sexo.

6 Comments:

Blogger Samara L. said...

Eu também detesto, mas me conformei com o fato dos ocidentais serem classificadores compulsivos, cara Ana.
E, claro, não é porque sexo é importante para mim, que eu não curta dormir de conchinha quando estou amando e não chore quando se esquecem de dizer o que sente por mim ao telefone.
Mas viver o amor é uma fase que eu deixei para trás na minha vida, vai ver que é isso. ^_~

1:16 PM  
Blogger Ana Paula said...

Sadinha, não pensa aí que este meu post é algo contra ti, ou contra tu falares de sécho ou contra achares mais importante... etc e etc... e contra quem gosta de títulos. é que eu odeio mesmo. odeio ter que colocar títulos em posts porque eu nunca tenho saco...
sexo é amor, amor é sexo. ou não. cada um gosta do que gosta. se eu disser aqui que gosto de pepinho em conserva com chocolate eu acho que vai pegar mal, mas é isso: EU GOSTO DE PEPINHO EM CONSERVA COM CHOCOLATE. bejo, nega.

11:02 PM  
Blogger Samara L. said...

Eu sei que não, fofa. O que quero dizer é que não gosto de rótulos, mas lido bem com eles. E que por mais que eles nos tornem aparentemente diferentes, no fundo somos muito iguais.
E eu tinha uma amiga que comia pepino com toddy no café da manhã. De verdade!

Beijos.

12:01 AM  
Anonymous Carolzinha said...

A gente realmente é criança e nunca cresce. Gostamos de fazer coisas com nossos amores que não fazemos com mais ninguém.
Tem vezes que eu e meu amor damos gargalhadas de coisas que vista por alguém de fora acharia inútil a risada.

8:38 AM  
Anonymous markmark said...

Pois saiba tu que falasse de sexo da orma mais bonita que já li nesses últimos tempos. Bela crônica. Bonito sentimento. ;)

9:22 AM  
Anonymous Renato said...

Putz, me emocionei. Sério.

2:57 PM  

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