03 outubro 2005

One-way ticket

Uma bomba explodiu no meu colo. Metáfora. Não é problema meu, diretamente, mas vai afetar um monte de gente que eu amo. E aí eu preciso dar apoio, ajudar a encontrar caminhos, mas eu não queria, porque a minha vida está tão acertadinha e calma. Eu queria pegar um avião para algum rincão onde não houvesse correio, telefone ou internet. Incomunicável, dormir e não pensar nisso, acordar e não pensar nisso. Deixar o mundo se virar sem mim. Porque chega uma hora em que a gente cansa de ser pilar de estrutura. Eu tenho rachaduras, e a Defesa Civil e o CREA já deviam ter me interditado há tempos. Eu nem faço nada da minha vida, com medo de virar ruína. Aí tenho que segurar a barra dos outros. Pode ser egoísmo, pode ser crueldade; eu não vou fugir, mas é só porque eu não posso.

E antes que alguém pergunte: não, eu não posso contar o que é. Porque, como eu disse, o problema não é meu.

Só a terapia salva.

7 Comments:

Blogger Samara L. said...

Entendo. Mesmo.
Mas quando a gente nasce para pilar de estrutura, o jeito é respirar fundo e seguir em frente... Seja o que for, desejo que seja breve.

3:13 PM  
Blogger Léli said...

Oh!yeh! Mas talvez tua estrutura seja como daqueles velhos casarões centenários que embora com algumas rachaduras e descascados de tinta possuem um alicerce de pedra, muito forte com vigas e estruturas de ferro que a gente não vê por fora da parede mas que estão lá.
às vezes a gente não vê o poder que tem até precisar dispor dele. E pode ter certeza que o amor é o maior e o mais forte deles. às vezes dá dor de cabeça, mãns é através dele que muita coisa muda e é transformada significativamente.
Ah! E se confiaram em ti para a parada é porque tudo vai acabar bem. Acredita.
beijos Lys

3:17 PM  
Blogger Thata said...

uh, babe! meu pai engenheiro me ensinou que quando um pilar está cheio de rachaduras, ele só precisa de algumas estaquinhas pra segurar a onda e dar aquela escorada enquanto ele sustenta o prédio inteiro. Se preocupe não, com certeza você tem muitas estacas te apoiando na vida, não tem não? ;)

4:15 PM  
Blogger carole said...

bosta.
tô num momento desses, mas o problema é meu E dos outros, e segurar a barra fica difícil...as vezes cansa ser forte, dá vontade de desistir.
bem que eu queria voltar rpa terapia...

9:01 PM  
Blogger Ana Paula said...

Lizzie, acabei de passar por essa bomba no colo. foi dureza, e eu me peguei num momento: "ai, pelamor, e eu, vou chorar pra quem?", porque era problema de uns e meu tb. tudo passou, tudo melhorou, e eu fiquei aqui, tentando compreender por que a gente reage de formas tão estranhas diantes de bombas. se tu reagiu assim, é porque somos humanos e, como tais, fazemos as coisas que achamos que vão ser MENOS DOLORIDAS. tem horas que dá vontade de gritar, né não?

8:25 AM  
Blogger Lys said...

Meninas, eu agradeço tanto o apoio. Eu nem tenho o que dizer a vocês, a não ser que isso está acabando comigo. Eu sei que vai passar, mas antes ainda vai piorar. Eu choro baixinho no banheiro, para ninguém ouvir. Mas tô por um fio, viram? Eu quero colo, mas nem tenho para quem correr. Sei lá, às vezes eu queria ter ainda 5 anos. Torçam para que tudo saia bem, tá?

Um beijo

9:50 AM  
Blogger Ana Paula said...

ANA PAULA: torcendo

11:26 AM  

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