25 outubro 2005

Testosterona, mas não só

Sim, há o componente hormonal de que a Ana falou e ele foi muito útil para a humanidade chegar até aqui, já que eram os homens os responsáveis pela defesa da caverna, do feudo, da tribo. E há também a educação, pela qual as mulheres são, em muito, responsáveis. Mas, por que é tão difícil mudar esta educação e criar uma sociedade mais pacífica?

Vou entrar na seara da Lys um pouquinho. Licença, Lys? É que eu fiquei instigada com esta questão da violência ser predominantemente masculina e fui pesquisar algumas coisas de psicologia (no google, meus amores, q não há tempo pra pesquisas em biblioteca...). Lembrei das aulas da faculdade e dos arquétipos de Jung e fui atrás dele.

Jung fala sobre o inconsciente coletivo, que constitui-se dos materiais herdados da humanidade. É nesta camada que existem os traços funcionais como se fosses imagens virtuais, comuns a todos os seres humanas e prontas para serem concretizadas através das experiências reais. São os arquétipos.

Existem tantos arquétipos quantas as situações típicas da vida. Uma repetição infinita gravou estas experiências dentro da gente.


Aonde eu quero chegar é que o arquétipo típicamente masculino é o do Guerreiro e o típicamente feminino é o da Grande Mãe. Mudar isso leva muito tempo, se é que há a possibilidade de uma mudança total.

Aos poucos, porém, vemos uma mudança de atitude. As mulheres foram à luta anos atrás e assumiram uma postura mais agressiva para conquistar sua independência. Os homens, por sua vez, aos poucos vão se conectando ao seu lado feminino. Quem sabe a gente não está bem próximo de um equilíbrio entre os lados masculino e feminino da humanidade?

13 Comments:

Anonymous Carolzinha said...

Amém!!! Isso será o ápice!! ;o)

11:57 AM  
Blogger Ana Paula said...

é, Thata, é a nossa luta de todos os dias, né? fazer um pouco aqui e outro lá pra daqui um tempo as coisas darem certo. mas antes de mudar a cabeça dos outros a gente tem que mudar a nossa, e é por isso que eu agradeço por não ser mais a feminista radical que eu era. a gente cresce, aprende, um lava a louça aqui, outro ali, e, numa briga (discussão, claro) e outra, a gente se acerta. eu só continuo tendo medo de mãe de filho homem. juro, não é preconceito, chega a ser quase uma lei: as mães mudam quando são mães de filhos homens. porra, Freud, tu bem que podia ter estudado isso melhor, né? Jocasta só não basta, rapá!

4:57 PM  
Blogger Thata said...

Nossa, Ana, vc tocou em um dos meus maiores traumas. Tenho dois irmãos mais novos q eu. É incrível notar como a criação que minha mãe, feminista de carteirinha, dá para eles é TOTALMENTE diferente da que ela deu pra mim. E por diferente, leia-se: cheia de mordomias, com menos cobrança. Mas ainda assim quero ter um filho homem. Meu maior pavor é ter uma menina e ela se transformar em uma dondoquinha fútil...

6:43 AM  
Blogger Carecone said...

"...minha mãe me protegeu e me favoreceu muito mais que ao meu irmão..."

Palavras da filha de uma ativista feminista que é engajada, atuante e radical.
-------------
Cada caso é um caso e nunca é um bom caminho generalizar, sempre acabamos no caminho das radicalizações.
-------------
Igualdade, equilíbrio?
A mulher com mesmo cargo de um homem ainda ganha menos, a mulher afrodescendente com mesmo cargo de uma caucasiana (ou dita) ganha menos, o homem afrodescendente ganha menos do que o caucasiano (ou dito. A mulher nordestina, caucasiana ou afrodescendente, ganha menos que a mulher do sudeste e sul do país. Acho que isso, pelo menos no nosso país, tem relação direta com a tensão/violência social e a agressividade que existe e que é latente em todos atualmente. Não só isso, é claro. Não acredito em medicina especializada e sim na geral partindo para a especializada e voltando à geral, acredito eu que o mesmo vale para a condição social de agressividade/violência/etc. e tal humana existente. Enquanto houver desequilíbrio, um vai estar parasitando o outro e gerando desequilíbrio em todos os pontos de convívio sejam pessoais ou entre nações.
-------------
O que eu queria mesmo é que aprendessemos a respeitar as nossas diferenças e isso me parece tão perto e ao mesmo tão longe. E não me refiro apenas a homem e mulher, mas a TUDO.
-------------
Obsequium amicus, veritas odium parit (Terêncio)
Peço o favor de não me odiarem por falar o que eu penso, deixem isso para os que já estão por aqui a me odiar.

10:45 AM  
Blogger Léli said...

Que isso Thata! Não vejo muita possibilidade disso. Eu tenho sobrinhas que adoram bolsas e acessórios, mas elas são assim porque eu sou um pouco assim e porque nós (minha mãe e eu) damos coisas que achamos bonitinhas a cara dela. Isso é normal! Mimar alguém de quem se gosta é a coisa mais fácil de fazer. È por isso que perdoar um inimigo é o sacrifício.
Quanto a mãe de filhos homens... Anucha tu tens algumas experiências que provam que a coisa pode ser ruim. Mas aí também a culpa não é do filho, mas da mãe. Na verdade as mães dos meninos adultos hoje foram criados numa época que: machista ou feminista, a mulher servia o homem e isso era o certo. Como disse a Thata no post e isso vai ser difícil mudar. Mas tamos aí! Vamos tentar mudar os conceitos.
Beijão

10:50 AM  
Blogger Lys said...

Thata, MINHA seara? Ainda não, querida. Comecei a arar a terra agora, mal comprei as ferramentas, e as sementes estão em pouquíssima quantidade. ;)

O que eu vou dizer tem base vivencial apenas. Minha mãe criou três meninas e um menino. Ela é a maior Jocasta de todos os tempos. Meu irmão é bem menos violento do que eu, por exemplo. Mas é Édipo Rei, e mimadinho que só ele. Minha mãe nega, mas a coisa já se tornou uma obviedade tão grande que a gente já faz até piada. Eu concordo com a teoria de que as mães de homens são os maiores empecilhos para a evolução da humanidade!

11:45 AM  
Blogger Thata said...

Pessoas, devemos enviar nossos meninos para serem criados por tutores, como faziam os gregos?

12:18 PM  
Blogger Ana Paula said...

Thata: eu acho que não correrias o risco de uma filha fútil;
Carecones: ninguém aqui te odeia, babe. aliás, nem te odeia e nem odeia quando dizes o que pensas, afinal, diafragmas são assim: ABERTOS. estamos aqui abertas pra tudo, mesmo pra um cara chegar aqui e dizer o que pensa, o que é BEM BOM;
Léli: lógico que é culpa da mãe, porque o guri até aproveita, mas que culpa ele tem da mãe achar que ele precisa de MAIS MIMO e MAIS LIBERDADE e CHANCES? eu juro que eu não quero generalizar, mas pode ver, é quase uma unanimidade: mãe de homem MUDA.
Lis: com teu comentário só confirmei uma suspeita: dá-se um chute e da moita saltam 5 mães de homem. quatro delas são jocastas. é bruti, véia. às vezes quero fazer a experiência: ter filho homem pra ver o que acontece com a cabeça das mulé que são mães do Edipo Rei.

12:19 PM  
Blogger Carecone said...

Tá bom que a mulher muda e então eu fui "mal criado" - hehehehe!

Lembrei da minha vó materna, criou as três filhas no cabresto - católica severa, gaúcha conservadora, nascida em Rosário, esta é a minha avó querida, não consigo odiá-la por seu machismo, se não fosse por ele minha mãe não saía de casa aos 19, lutando com Deus, o mundo e os Reitores da UFRGs e UFBA para conseguir transferência no curso de jornalismo e vinha morar em Salvador e daí não conhecia meu pai e aí então carecones necas de pitibiribas - bom, daí veio meu tio, conhecido também como nenê-mamãe... hehehe!

Vocês estão certas. Mas eu não estou de todo errado, pelo menos no meu caso não me sinto criado da forma que vocês estão dizendo. Mas não sou exemplo, afinal por parte de mãe sou filho único. De qualquer forma sou contra generalizações.

12:39 PM  
Anonymous Carolzinha said...

Puxa. Cada situação.
Hj em dia homem não se confia nem com os olhos "deles" vendados. Só se for pra fazer outra coisa mais interessante... ;o)

3:15 PM  
Blogger Samara L. said...

Pessoas, será que não tá rolando uma certa viagem com esse papo de menino mal educado pela mãe, menina possivelmente fútil?
Será que o buraco não é um tantinho mais em baixo?
Porque eu acredito que é uma questão de pessoas que são menos humanas... Porque o que leva um cara a ser cafajeste e uma guria a ser fútil e insuportável são basicamente as mesmas coisas: falta de valores, de preocupações maiores, de altruísmo, de limites, de preocupação com o próprio aperfeiçoamento, com algo que não seja corpo, grana, matéria.
Tudo bem que eu sou mais velha, mas será que eu fui a única aqui que tive oportunidade de conviver com homens muitíssimo bem educados tanto por seus papais quanto por suas mamães e se tornaram pessoas maravilhosas e indispensáveis? Será que só eu conheço moças egoístas, canalhas mesmo, que passam por cima de todo mundo porque nem papai nem mamãe ensinaram que o outro é importante? Ok, sei que vocês estão falando de um número mais recorrente de experiências. Mas generalização é algo que me arrepia a espinha.
Falta de noção do que é importante numa sociedade, idem.

5:11 PM  
Blogger Ana Paula said...

Sada, não tinha idéia de generalizar, até porque os homens com quem convivi de perto sempre foram, cada um do seu jeito, gente boa pra caralho. meu pai, meu marido, meus amigos e meus dois vô foram e são homens de quem não poderia falar o geral que se vê em homens por aí, e, pelo contrário, tive uma infinidade de contatos com mulheres que ainda hoje me dão arrepio (não as mais próximas, mas uma pá de conhecidas). o que eu acho que é necessário numa humanidade, além de um pingo de noção do que é necessário mesmo nessa vida, é reconhecer que existem merdas, e que não é odiar a humanidade falar que ela está repleta de exempos de merda. sei lá, estou meio balançada, porque parece que só discutimos aqui que os homens são ruins e as mulheres são legais. nada disso, Sada. o que é fato e NINGUÉM pode contestar é que HÁ MACHISMO e isso perdura, e muito mais que imaginamos, e que quem está sempre por trás das maiores violências da história é a testosterona e a empatia escassa que são da natureza masculina. não é generalização, é simples fato: científico, empiricamente comprovado, documentado em muitos e muitos anos de história. sei lá, me parece que tu coloca nossa discussão como "os homens são todos uns paspalhos, as mulheres são mó legais e é assim que é". sei lá mesmo o que dizer.

7:47 PM  
Blogger Léli said...

Ouquei! Vou entrar nessa já que eu que levantei a lebre. Concordo com a opinião de todas e do Carecones.
Vejo que apesar da parecença de que temos opiniões totlamente opostas na verdade elas são semelhantes. É claro que existem mulheres canalhas, eu conheço várias, não sou amiga delas, mas as conheço e são como agem. Também conheço homens maravilhosos com quem até me casaria (se fosse apaixõnada por eles - casaria com um só, é óbeveo).
E isso tudo, só me foi capaz de ver porque, minha mãe é fabulosa e meu pai tri conservador e no meio do caminho, durante a faculdade eu amei meu primeiro amor e conheci a Ana Paula, que apesar de ter toda uma indignação e fúria é uma humanista. E foi quem me mostrou que a junção de homens e mulheres é mó melhor que homens e mulheres machistas de um lado e mulheres feministas de outro.
Acho também que toda esta discussão é maravilhosa.
Mas a testosterona é uma prova contundente!
Vamos continuar discutindo, quem sabe chegamos a uma situação para salvar o mundo, a humanidade, ou pelo menos a gente mesmo.
Beijo

10:58 PM  

Postar um comentário

<< Home