18 dezembro 2005

O poetinha é que estava certo

Eu pensei que as pessoas se casassem – ou juntassem – para ficarem juntas. Não para sempre ou eternamente porque talvez isso não exista ou por um motivo ou outro não dê. No entanto, ouvi hoje uma declaração que me fez pensar nas relações homem-mulher, nos relacionamentos e em toda a gama de assuntos que costumamos debater aqui nO Diafragma. A moça de uns 30 anos, mãe de uma menininha linda de no máximo oito meses disse, em meio a uma grande platéia de mulheres com a idade dela e outras bem mais experientes que: “não pretendia viver o resto da vida com o fulano (pai do bebê, seu marido)”. Sim, é óbvio que não sabemos o dia de amanhã, relacionar-se, mesmo em família, tem suas dificuldades, num casamento talvez as tensões do dia-a-dia aumentem. Tudo isso eu entendo. Também não compartilho da idéia de que casamento é pra sempre, sei que há motivos e situações que não são superadas e mesmo um casal com filhos (ou principalmente) com tais problemas devem se separar antes que comecem a se odiar.Não posso acreditar que uma pessoa bota um filho pensando que não vai viver o resto da vida com o pai da criança.
Volto a dizer não acho que as pessoas devam suportar sofrimento e infelicidade num relacionamento só para não se separar. Mas não é muito fatalismo as pessoas começarem um relacionamento pensando bom daqui a um ano talvez não estejamos mais juntos? Isso não facilita para o rompimento sem que se tente realmente fazer dar certo? Presenciamos na família, acompanhamos no cotidiano dos artistas (como se sua vida particular fosse uma novela) o início e o fim do namoro/casamento/“amigação” que nem bem começou mas está dando o último suspiro.
A busca por um amor verdadeiro e uma convivência a dois que seja harmoniosa torna-se habitual entre os solteiros só que, ao mesmo tempo em que se procura alguém várias questões assombram os solitários. Perguntas do tipo “será que é pra valer?”, “será que ele(a) quer alguma coisa séria?” são comuns.
Esse “entreguismo” sem luta pode estar sendo motivado pelo pensamento de que não somos obrigadas a viver junto, não deu não fazer o quê? E embora pareça demonstrar a liberdade que nós mulheres adquirimos no momento da liberação sexual também faz com que nos tornemos mais solitárias. Acabamos acreditando menos no amor e nos relacionamentos, já que acreditamos menos nos relacionamentos por que não confiamos tanto nos homens (pois os homens são os homens, são galinhas, gostam das cachorras, preferem as louras – sem generalizar, são alguns, mas ainda não sei onde estão os bons moços).
Apesar de tudo isso, ainda acredito que encontrarei, nesta vida, meu amor verdadeiro. Pode ser o cara da livraria (hoje encontrei com ele), um ex-namorado (embora eu não queira muito esta opção), um amigo verdadeiro para quem nunca olhei com os olhos da paixão ou alguém que ainda vou conhecer. Não importa se ele já está ou vai aparecer na minha existência o que realmente importa é que quando surgir quero me entregar inteira sem pensar em quando ou até quando irá durar. Na verdade o Vinícius é que tá certo “que seja infinito enquanto dure”.

5 Comments:

Anonymous Pablo said...

Léli, acordei oensando nisso, ontem e hoje.

A fauna humana está cada vez mais diversificada. O ser humano se permite mais coisas que outrora. Isso é bom, mas o lance é que certas opções são reveladas apenas de perto.

Procuras um dos bom moços, sem modéstia eu lhe digo, sou um e quero desistir de ser. Não compensa ficar gastando energia à toa! É uma merda ser assim hoje em dia... Vejo os cafajestes muito mais felizes!

Quanto ao amor, meu romantismo esta fraquinho e do alto do ceticismo deste meu coração-romântico (paradoxo da porra!) eu penso que existem formas de amar semelhantes e pessoas com ideais e personalidades parecidas. Cada uma dessas coisas se encaixam de uma certa forma, cada uma a esta oua aquela pessoa. Deve-se avaliar o que é mais importante! Nem sempre a pessoa que se encaixa com a forma de amar de alguém vai encaixar no resto e assim vai. Quando isso acontece ou fica muito perto é que chamam de amor da vida (eu acho). Pode acontecer, afinal a vida é uma imensa "Serra Pelada" e vivemos em busca de uma pepita que nos enriqueça o coração. A diferença, ao meu ver, é que alguns encontram uma de "1000" e conseguem montar algo pequeninho e ir fazendo crescer, crescer, crescer...
Outros, no entanto, encontram, por sorte, uma pepita de "10 mil" e gastam de uma só vez e depois voltam em busca de mais, então acham uma de "100 mil" e gastam, gastam, gastam...
Nesta vida de amor, tal qual no dinheiro, existem pessoas cagadas de sorte até a tampa e outras não. O foda, foda mesmo é que garimpar amor é mais trabalhoso, leva mais tempo e muitas vezes nos consome de tal maneira que não deixa nada para o "em breve"!

Abraço.

8:58 AM  
Blogger Carolzinha said...

Realmente... que seja infinito enquanto dure. E estou passando por um processo de mutação. Vamos ver no que dá. Resposta só terei em 1 semana. Impossível saber se é ou não eterno. Mas gostaria muito que fosse. Sofro. Choro. Quero. É a infelicidade de estar sozinha num mundo rodeado de pessoas.

1:31 PM  
Anonymous Arléia said...

sempre nos parece infinito qdo está acontecendo...mesmo sabendo q esse infinito pode ser até amanhã...mesmo q as probabilidades matemáticas te apontem um caminho duro...vce sempre acha q ainda há uma chance de mudar o futuro e tornar infinito p sempre...

8:44 AM  
Anonymous Marcela said...

Eu acredito. Acredito no amor, no casamento, na família. Sei que é possível que seja infinito mas sou realista a ponto de saber que problemas sempre existirão. Porém tenho alguém que está do meu lado nessa empreitada e que vai me ajudar a ultrapassar toda e qualquer barreira. Continue acreditando! Adorei o texto! Beijos

10:14 AM  
Blogger Ione said...

Foufa, por mais cética que eu seja, por mais infernalmente negativa e pessimista, o que pode ser um mal da pessoa absoluta e incontrolavelmente racional que sou, eu acho que todos, sim, casamos e buscamos, de um modo ou de outro, o amor eterno.

Pode ser efeito de Óliuud, e de muita historinha de princesa na infância, mas eu acho mesmo que é efeito de substâncias químicas sei lá quais na gente que deixam a gente deliciosamente besta, maravilhosamente dispostas a acreditar no irreal, inegavelmente felizes. Eu "casei" achando que era pra sempre. E se eu me casar de novo, vai ser assim também. Não adianta, paixão deixa a gente besta.

2:21 PM  

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