01 outubro 2005

Eu me dou o direito

Eu me dou o direito de ter tempo para não fazer nada. Eu me dou o direito de desperdiçá-lo. Eu me dou o direito de não sair enlouquecidamente atrás das coisas porque eu tenho trinta e três anos. E me dou o direito de não me preocupar com isso e não me sentir velha porque não estou a fim.
Eu me dou o direito de ter uma profissão pouco rentável, porque eu amo o que me preparei para fazer. Eu me dou o direito de viver de cabeça erguida apesar de viver da caridade de amigos. E me dou o direito de não me sentir menos humana por isso.
Eu me dou o direito de fazer do meu corpo o que eu bem entenda. E entregá-lo ou reservá-lo para quem bem me aprouver - porque ele é meu bem inalienável. Eu me dou o direito de escolher novos caminhos para minha alma, não os que me legaram.
Eu me dou o direito de errar. Eu me dou o direito de não acertar sempre e sofrer. E de sofrer pelo tempo que eu achar necessário. E de me recuperar da maneira que meu corpo pedir. E de amar a quem eu bem entenda. E fazer desse amor o que eu bem entender.
Eu me dou o direito de escolher os que andam ao meu lado.
E me dou o direito de não saber keigo. E de, às vezes, embaralhar as sílabas das palavras em japonês. E de nunca saber a pronúncia das malditas vogais em inglês. E de ter a batida lateral mais solta, porque o meu quadril reverbera. E de fazer giro sem cabeça de ballet, porque minha alma é baladi.
Resumindo, eu tenho trinta e três, estou acima do meu peso, tenho uma profissão pouco conceituada, um estado civil duvidoso e estou fora do grande esquema da sociedade. Mas EU ME DOU O DIREITO de ser exatamente quem eu sou e não ter um pingo de vergonha disso.

30 setembro 2005

algumas vírgulas, dois pássaros e uma cabeça fumegante

ninguém sabe os problemas da gente. e nem as delícias. eu tenho problemas, sabe? e delícias também. tem épocas que eu só consigo escrever sobre os problemas, até porque, nas delícias, eu nem lembro de escrever. fazer o quê?, isso é coisa de escritores malditos. no momento, vejam, estou podendo assinar apenas como maldita, porque escritora só quando o livro estiver saindo da gráfica (não concordo, mas a vida é assim mesmo). uma das minhas delícias virou problema. se tinha uma pessoa que era irreparável nas vírgulas, essa era eu. sério. é patético? pode ser, mas eu sou (era?) exímia virgulista, e ai de quem me corrigisse uma vírgula. hoje eu sou a primeira a reler meus textos com uma ruga de preocupação: desaprendi. crase tudo bem, que eu sou uma naba mesmo, mas vírgula, filha, que eu era A melhor, não dá, né?

e eu tenho dois filhos. eles são adotivos, não são da minha raça e, pasmem, não falam. e eu amo eles. e então alguém pode vir e me dizer que tem mega quantidade de criança na rua passando fome e eu dando comida e carinho pros meus pássaros. acontece que eu também vou falar uma coisa bomba e vocês fechem os ouvidos (não, escutem, que eu quero falar). eu considero os animais no mesmo nível que as pessoas. não vejo porque eu "deva amar" mais a uma criança humana que não é do meu sangue que a um outro animal que não é do meu sangue. o princípio de amar é o mesmo. pra mim. e eu amo a Pandy e eu amo o Calvin e trato eles não como crianças humanas, porque crianças humanas precisam de camas e lençóis e passarinhos não. aliás, precisam, mas pra mastigar e brincar e socar na água pra ver que divertido que é. adotar uma criança humana implicaria dar a ela amor, e isso não seria nenhum, mas NENHUM PROBLEMA, porque eu tenho horrores, ó, qué um pouco? mas eu precisaria dar a ela coisas que crianças humanas precisam, como colégio, como um óculos de grau caso ela seja míope, um tênis, roupas, comida de criança, e isso, infelizmente, ainda não tenho condições de dar.

e às pessoas que dizem que é ridículo alguém ter um cachorro de estimação enquanto tem gente na rua passando fome, eu digo duas coisas: nesse sentido, ter um filho enquanto tem crianças IGUAIS, a não ser por não terem teu sangue, na rua, passando fome, é a mesma coisa. e a segunda coisa: tem muita mãe e muito pai que fazem crianças porque não querem evitar fazer, e não se trata de pessoas fazendo filhos pra procriar, com instinto de multiplicação de genes, e nem de gente fazendo filhos porque não sabe evitar. e aí, alguém aí vai dizer alguma coisa? eu faço alguma coisa pra mudar essa situação, o que não quer dizer que eu não ache que seres humanos sejam culpados pela superpopulação de gente morrendo de fome.

eu amo os animais, independente deles serem humanos ou não. é por essa lógica de SALVEM PRIMEIRO OS HUMANOS que o mundo está nesse horror. até porque a) salvem os humanos e o ecossistema em colapso vai fazer o que? destruir os humanos. b) salvem os humanos primeiro? que balela! cadê que a situação humana melhora? em pleno século XXI padres dizendo que seus fiéis devem ter quantos filhos deus lhes der estão salvando os humanos? façavor, se essas pessoas deixam de ter cachorros porque acham que tem muita criança passando fome na rua, por que não pegam uma na rua pra alimentar e cuidar e dar amor e cama e remédio e escola? vamlá, não pegou ainda por que? não querem fazer isso, então por que não se engajam numa campanha de controle de natalidade?

eu continuo, amo meus filhos e não acho frescura de madame não, porque trato eles com respeito, dignidade e carinho, mas se não sou a favor de burguesices pros seres humanos, por que eu daria uma anilha de ouro pra Pandy? só porque ela faz 4 aninhos hoje? não. a Pandora não tinha penas quando achei ela. dei amor, dei comida e água, e ensinei a comer e beber, porque ela se perdeu da mãe biológica antes de aprender tudo isso. eu acordei de madrugada de duas em duas horas pra dar papinha e água, e quando ela ficou doente, pra dar remédio. frescura? eu ia deixar morrer? uma vida? só porque não é um ser humano? se as pessoas que falam isso conhecessem a Pandy, tenho certeza que mudariam de idéia. porque ela me dá muitos beijinhos quando eu volto de viagem, ela dança na minha frente quando quer atenção e ela dorme do meu lado domingo demanhã. Parabéns pra Pandora. Muitos anos de vida, negrinha da mãe.

aham, tou revoltada ainda. a tpm é de verdade desta vez.

29 setembro 2005

Há certas coisas com as quais não trabalhamos nessa casa:

  1. Não vendemos fiado, porque isso é básico. Nessa casa somos todos bons, mas ninguém é bobo.
  2. Não nos tratamos pela primeira pessoa do plural, porque isso é escroto e só gente tréxi que nem, sei lá, o Pelé faz isso. Se bem que ele se refere a si mesmo como o Edson.
  3. Naum tc. Só sei conversar e falar, mesmo que seja por e-mail barra MSN barra outro meio virtual. E se você pede pra *tc* comigo porque conseguiu meu endereço do MSN no meu blog velho, eu te odeio, mas você nunca saberá, porque eu sempre serei bacana, até o momento em que eu bloquear você. Mas você nunca saberá disso também, porque pra você, será como se eu nunca mais estivesse com o MSN ligado. E eu serei somente uma linda lembrança querida em seu coração.
  4. Com orkut. Não sei pra que serve. Ainda não descobri, talvez, mas tenho a impressão de que não serve pra nada mesmo. Confesso que eu estou na comunidade "Adoro Goiabinha".
  5. Não falo sobre séquiço. Tipo. Eu posso perfeitamente dizer que vou give a BJ real quick pro mocinho que é tipo como se fosse meu quando a gente está preso no trânsito e não tem nada o que fazer nessas horas, e não ficar encabulada sobre isso, porque obviamente isso é uma piada. Posso contar o tamanho do piu dos meninos com quem eu já transei. Ou se eu já fiz meia-nove. Mas eu nunca, nunca, falarei de coisas relevantes, nem darei detalhes picantes, nem direi se lambo isso ou aquilo. Tipo, eu falo "piu", nem "pinto" eu falo. É muita pudicícia. Eu sei.

entrou, saiu

Meninos, meninos, vou revelar uma coisa muito chocante para vocês: meninas fazem cocô! Poisé, a gente ta aqui nesse papo todo de comida e vocês devem estar se perguntando "ó céus, mas para onde vai tudo isso que elas comem? será que se transforma em rosas? será que desaparece dentro das moças?". Não, rapazes. A gente caga.

Quer dizer, quando eu digo a gente eu to falando mais de mim mesmo. Nas CNTP, vou ao banheiro 3 vezes ao dia. Mas tem muitas meninas que não vão não. Uma parcela considerável das mulheres acreditou naquela conversa de que temos que ser limpinhas, puras e intocadas e cocô, afinal, é sujo. Então tem gente que simplesmente não faz.

Não fazer é um troço terrível, quem já teve prisão de ventre sabe. Dá um mau-humor desgraçado, dói e, principalmente, dá barriga. O resultado é uma mulherada enfezada (sabia que o termo veio justamente disso?) andando por aí, cheia das toxinas presas em seus intestinos. O horror, minha gente.

Sabe aquelas pessoas que vivem com a cara amarrada, sempre tensas? Outro dia eu li uma frase genial: quem tem prisão de ventre é porque não consegue relaxar o cú.

(Gente, inventei uma nova brincadeira: agora quando eu leio os textos aqui no diafragma, além de me deliciar com as idéias malucas dessas meninas, fico tentando adivinhar de antemão quem foi que escreveu. Algumas são fáceis: Ione tem um estilo único, a Ana é mais revoltada, Carole é um doce, Sada sempre tem uma pimenta a mais...as outras ainda estou aprendendo. Para a Mel, que perguntou como faz pra saber quem escreveu o que, sugiro tentar adivinhar...ou olhar do lado esquerdo de onde se comenta, aonde tá escrito "posted by...")

28 setembro 2005

normalmente estranho

não vejo problema em passar os lábios no papel cuchê ou na unha do namorado.
problema talvez seja beijar enlouquecidamente estes daqui ó:

sim, eu cheiro, beijo, amasso... são meus netinhos-queridos-mal-saídos-do-ninho (ok, acabo cheirando, beijando e amassando os pais deles também)
pelo menos sei que não sou a única que padeço desse "mal", mas não vou citar nomes ;)
pra saber mais sobre essas coisas fofas entra aqui

Ah, essa gana de devorar o mundo!

Estava aqui lendo os posts de vocês e pensando nas nossas estranhas relações com comida e na Ione, a felizarda que não gosta de chocolate, mas fuma. Tudo pela boca, não? Aí me dei conta que apreendo muito o mundo pela boca e que quando eu me sinto vazia é comum eu querer encher tudo aquilo com comida - um processo parecido com o da Ana Paula, se é que eu entendi tudo o que vocês escreveram.

Aí me dei conta de que, se eu não pudesse usar a boca, eu perdia meio mundo. Não, sejamos honestas, meio mundo eu já perderia só se me tirassem o dom da fala. Mas se eu ficasse alimentada sem sentir textura e sabor é certo que morreria de depressão em poucos dias.
Na boca, parece que eu tenho um certo tato ao quadrado. Não é incomum, em lojas de tecidos, eu passar disfarçadamente o tecido nos lábios para sentir a textura. Faço o mesmo com livros - existe delírio maior que o toque do papel cuchê no lábio? -, pedras (muitas vezes eu passo a língua mesmo... me refiro, claro, a pedras de anéis e outras bijoux, não pedras achadas no chão), alguns frascos de vidro, cabelo e pele de bebê... Eu não sinto que conheço um bebê se, além de beijar ele muito, eu não sentir o cabelinho e a pelezinha macia com o lábio. Reconhecimento. Não lambo bichos (nem crianças!), mas, às vezes, gosto de sentir o toque do pelo deles nos lábios também.
Nojenta? Porquinha? Será que eu tenho alguma doença? Sei lá, essas coisas para mim sempre foram naturais, mas só hoje pensei nelas. Óbvio que levar alimentos - finalmente algo apropriado, hein? - à boca vai me causar um prazer imenso. Aí junto minha gana por texturas com o deleite do sabor.

Aí, claro, que tive que me lembrar que quando amo um homem eu tenho que reconhecer ele todo com a boca. E quando falo todo, é todo mesmo, inclui lugares bizarros como unha e sola do pé. Até porque eu me lembro mais deles com a boca. Ai, socorro, que papo obssessivo e tarado... hehe.
Mas é verdade. Prendo os cabelos entre os lábios, lambo a nuca, mordo tudo o que é possível, beijo os pés, percorro o corpo com a língua debaixo da água do chuveiro. Beijo na boca? Vixe, me perco - aí posso juntar roçar, lamber, mordiscar, tudo numa coisa só. Ô, delícia.
E, claro, amo sexo oral. Conheço mulheres que têm nojo, juro. Eu respeito. Mas não entendo como se pode ter nojo do cheiro e do gosto daquilo que se deseja, muito menos do que se ama. Se eu não gostar do cheiro de um homem, nem me deito com ele no mesmo espaço. Mas se eu gosto... ah, eu me farto. É quando me sinto comendo, literalmente, deglutindo, digerindo e acolhendo a quem amo. Pegando para mim.
Isso sem falar na sensação de poder que se tem, não digo nas mãos, mas entre os dentes...

Bom, mas deixa eu ir lá comer alguma coisinha e mudar o rumo dessa prosa antes que alguém aqui fique com medo de mim...

Quando ando nas ruas de mim

Como estamos nos conhecendo e nos revelando estou tomando a liberdade de colocar aqui a letra de uma canção que, na minha leitura, se parece muito com este momento e pelo que estamos escrevendo se parece/demonstra o momento que cada uma de nós está vivendo de uma forma e lugar diferente. Este cantador, o que fez a letra e a música é o Pedro Munhoz, não sei se alguém além da Ana conhece. Ele é um homem de esquerda que atualmente vive em Governador Valadares e virou sem-terra, participando do movimento nesta cidade. Eu gosto muito do trabalho dele. Ah! Ele é de Barra do Ribeiro - RS. Se quiserem saber mais sobre ele é só entrar no site http://www.pedromunhoz.mus.br . E a música taí logo, vamos ver se ela reflete ou não nosso momento, pelo menos individual.

Música: Quando Ando Nas Ruas De Mim
CD: Pátria Mundo
Autor: Pedro Munhoz


Quando ando nas ruas de mim,
me procuro, tento me encontrar,
solitárias, desertas sem fim,
toda a rua de mim é um outro lugar.
usco um velho endereço no bolso,
se bem me recordo, também o perdi,
me confundem as lembranças de novo,
sou um pouco de tudo que vivi.
/:Quando ando nas ruas de mim,
frente a frente comigo eu estou,
outros olhos me dizem que sim
e enfim, pelas ruas de mim eu vou!:/
Quando ando nas ruas de mim,
planto a flor que irei ofertar,
mesmo que não haja jardins,
toda a rua de mim é um outro lugar.
Guardo ainda a vontade de antes,
a mesma força que me fez partir,
a eternidade é só um instante,
sou um pouco de tudo que vivi.

Revelações que vão abalar o mundo:

  1. Eu não gosto de chocolate
  2. Eu perdi peso por causa de tristeza/amargura. (Mas também pode ter sido o contrário. Pode ter sido por ter me livrado de boa, embora, à época, isso não fosse tão claro.)
  3. Em vez de comer, eu fumo. Sou sem nome sem par, sou aquela.

27 setembro 2005

Nada como comida para parar a choradeira

Independente de ser pela TPM, ou pela saudade, ou pela tristeza ou quem sabe pelo medo de ter feito justamente a escolha errada, não importa, o que importa é que depois de chorar litros e litros de lágrimas sempre vem a vontade de repor as energias com algum tipo de comida. Corrijam-me se estiver errada, pode ser pipoca (salgada ou doce), chocolate, mousse de maracujá ou chocolate (mas tem que ser bem fofinho), nêga maluca com cobertura, torta de morango e um bom e forte café preto. E... sabedoria das mães, isso faz bem. Sim antigamente para qualquer tipo de dor existia uma comida, um prato ou um doce que amenizava.
Essa comilança toda me lembrou a pergunta de uma amiguinha de 4 aninhos num encontro de integração que participei no final de semana em Santa Cruz do Sul. Ela me perguntou o que era confraternização, fiquei olhando aqueles olhinhos pretos que não paravam de brilhar e tentei explicar da forma mais simples e que é, ainda hoje, a maior forma de confraternização, um almoço de domingo com os amigos e a família. Aí ela me disse: "hum! Aí todo mundo se junta para comer e beber. Ah! Entendi!".
Com isso acabei concluindo por que é que depois de toda essa nossa choradeira a Carole veio com Cebola e pikles... sim, para cada tipo de dor existe um alimento que nutre o corpo e acalma o coração. Eu prefiro Nêga maluca com cobertura ou pipoca doce se tiver com preguiça. E vocês?

25 setembro 2005

cebola e pickles

nem lembro a última vez que fui no McDonald's, talvez por isso a vontade de ir lá essa semana tenha sido grande, principalmente depois de ver vááárias vezes a propaganda do BigTasty (o sanduiche-iche novo).
e não é que o troço é bom mesmo? eu recomendo.
como infelizmente nem tudo na vida são flores, reparei dois problemas nele:
1 - é MUITO caro. quase nove reais por um sanduiche é uma facada (isso sem batatas fritas e refrigerante. e a mocinha do caixa ainda me pergunta: "vai uma tortinha pra acompanhar?". se for de graça, vai)
2 - é o TERROR das menininhas neuróticas. só ele tem setecentos e sessenta calorias. segundo sites especializados, eu precisaria jogar peteca por 2 horas e meia ou espanar pó por 5 horas ou ainda passar 3 horas e meia tomando banho pra gastar tudo isso.

resultado: saí de lá mais pobre e mais gorda.
uma belezura.