06 outubro 2005

eu não falo de secho. já falei horrores, em um tempo que eu me achava baita resolvida. eu era tão resolvida que um dia eu comecei a chorar, no melhor estilo PARA-TUDO. eu não sou resolvida porra nenhuma. aliás, é engraçado, a gente aqui abrindo a caixinha de Pandora, e tudo falando de séquiço, sécho. engraçado como tem umas palavras pra certas cousas que simplesmente são mais confortáveis que falar das certas coisas. teve época que eu não falava boca. eu era pequena e tal, mas a palavra tinha uma carga se-qui-çu-al que me dava meio que um roxão instantâneo falar disso.

a primeira coisa que resolvi na minha sexualidade mal resolvida, olha que estranho, foi que isso tinha uma importância bem menor que eu achava na minha vida. é bom. é necessário. é tudo aquilo. porém a quantidade ou a freqüência, pra mim, são coisas absolutamente abstratas. teve aquele tempo lá, que eu tinha 17, estava na faculdade, achava que podia tudo, mas tinha baita medo, era uma cagalhona, me escondia e, principalmente, achava que a freqüência, pra que eu dava mega importância, era o canal. o que mudou? eu continuo cagalhona. na época, era engraçado, eu tinha aquela rica cara. cabelo loiro, olho azul (não, ainda não mudei isso), gostosinha, eu diria. tudo no lugar. fazia esporte, atletismo e basquete, sabe? corria feito uma lebre. e tinha medo. medo dos homens, medo das coisas, eu me escondia, cheguei ao cúmulo de andar de calça grunge e boné, pra me esconder. queria ser menino. tive sérios problemas, porque o carinha QUERENDO, a mim, me dava meio que nojo. traumas...

depois a coisa mudou e eu, como já disse, 17 anos, na faculdade, achei que era resolvida (apesar da monogamia). e virei hipponga, o que era baita perfeito pra minha idéia de jamais mostrar meu corpo.

eu continuo, então, muito cagalhona, mas eu estou tão resolvida que compreendi que, pra mim, sécho é um detalhe, e muito pequeno no meio da minha vida. e isso é normal. ao contrário daquela fúria uterina que eu achava que tinha, dormir de conchinha é muito mais importante pra mim. e tomar banho. e dormir. e escrever. e ler. e ver filme. vai ter quem diga que eu sublimei, e eu vou dizer antecipadamente que se a gente se livrasse dessa carga de ter que ser dum jeito, ter que fazer tais e tais coisas, a gente seria muito mais feliz.

dos 17 eu sinto falta dos meus peitos, que eram lindinhos e eu podia acomodá-los num soutien de abelhinhas, joaninhas e bolinhas que ficava um amor. do atletismo também, que me esfarelou o joelho e me deixou interditada pro salto em distância. quando eu corria sentia que nunca ia parar. e quando parava, ficava com as bochechas rosas. e isso combinava com meus olhos.

05 outubro 2005

O sexo das mulheres

Eu, diferentemente da Ione que pronunciou que não falava sobre séquiço, falo. E tenho uma teoria, se a Thata me permite, que é onde há muitas mulheres juntas elas acabam, num momento ou em outro falar sobre sexo. Eu particularmente acho muito saudável, assim como conhecer o corpo (seu e do parceiro) faz com que se chegue ao tão esperado e ansiado Big O. É claro que às vezes ficamos envergonhadas de dar este ou aquele nome ao dito cujo ou dita cuja, ou dizer que foi feito desta ou daquela maneira. Não acho que isso seja pudicice, mas talvez mulherzice. Fazer o quê somos assim e pensamos desta maneira e sentimos também.
Fiquei encafifada porque a maioria das mulheres que opinaram sobre o Big O mental e sobre a siririca responderam que sim, conseguiam chegar lá, sem a ajuda de parceiros, objetos ou dedinhos. Enquanto que apenas uma moça disse que não e que quem dizia que sim estava... mentindo ou afirmando inverdades.
Então resolvi explanar sobre algumas "questãs" tais como:

1) Não são todos os homens com quem eu transei que me fizeram gozar. Por vários motivos, um deles é que não estavam nem aí se eu estava a vontade ou não, e outros simplesmente queriam ter um troféu, aconteceu na minha primeira vez que não aconteceu (a história é longo e desagradável).

2) A mulher também tem que querer e saber o que é um orgasmo. Sim, a entrega tem que ser total, não basta abrir as pernas e vai lá meu filho é tudo contigo. A coisa não funciona assim, tu tens que saber onde tem as melhores sensações, se tu tem orgasmo quando o sexo é oral ou se é na penetração.

3) Sintonia existe e amor e paixão também. Tá bem que às vezes o tesão basta, mas depende do tipo de mulher, muitas vezes se vai com o cara para a cama e na hora H tu fica olhando pro teto te sentindo uma qualquer, o que quer dizer isso, Sada me corrija se estiver errada, falta química, romance, paixão, fogo e sintonia. Tem caras que tu olha e quer dar, mas quando beija estraga tudo, falta sintonia. O beijo é o início de tudo, se não rolou um arrepio durante o beijo, ou outra sensação, bem, não siga em frente ou poderá ser uma noite desastrosa.

4) Se você ainda não consegui chegar a um Big O com o parceiro tente sozinha, só se consegue chegar lá quando o prazer é mútuo. Diga o que dá prazer, pergunte a ele, ou então vai fazendo e observando as reações, observe o que ele gosta que tu faça e o que ele gosta de fazer.

5) Se tu não consegui chegar lá só no mental, não quer dizer que outros não consigam e não quer dizer que tu nunca vai conseguir. É necessário concentração e treino.

6) Eu rio quando chego ao Big O. Eu sei que parece estranho mas é fato que eu rio. Alguns caras não gostam da reação, mas... se eu não rir é porque eu senti muito prazer mas não tive um orgasmo. Talvez seja por conta de um poema que eu li certa vez que dizia que: "quem ri quando goza/ é poesia até quando é prosa".

É isso, manual de sexo da Léli. rsss Não, eu só queria continuar o debate sobre séquiço com as meninas e meninos que passam pelo Diafragma.
beijinhos e comentem

04 outubro 2005

Agora põe o dedo aqui (ui!) se você for menino e nunca na vida que tinha ouvido falar sobre

esse poder que as meninas têm de chegarem ao big O com o poder da mente e de alguns músculos sem precisar tocar em nada.

Se bem que eu desconfio que são poucos os homens que lêem esse blog.

Até agora, meu mocinho e dois amigos ficaram com o queixo no chão. Meu mocinho, inclusive, perguntou o seguinte: "se a gente tem tal super poder, por que não usa todo o tempo?"

Tenho cá pra mim que é porque:
  • a gente não pensa obsessivamente sobre sexo - questã hormonal;
  • siririca como modo dedinhos é mais bacana;
  • a coisa ela mesma é mais divertida ainda.
Se bem que, né? Debatamos a questã, homens e mulheres do Brasil.

Só essa conversa rendia um post:

Ione says:

colabore com a pesquisa, por favor

Lys says:

Olha, só você para me fazer rir

Lys says:

já li. e ri horrores

Ione says:

então responde!

Lys says:

te contar

Lys says:

bater siririca, ione? coisa mais antiga!

Lys says:

parece minha avó falando

Lys says:

hahahahaha

Lys says:

tem que reposnder lá, é?

Ione says:

qual é o palavreado moderno?

Ione says:

sim, lá. pra estimular o debate.

Lys says:

já ouviu falar em masturbação? é assim bem genérico, mas é mais in

Lys says:

hahahaha

Ione says:

ah, que sem graça. siririca é mais... menos politicamente correto

Lys says:

é estranho, parece coisa feia. coisa de avó pegando a netinha no banheiro

Lys says:

e contando para a mãe secretamente: ó, peguei tua filha batendo sirica no banheiro

Ione says:

ah, Lys. por exemplo, é o equivalente a homem bater punheta

Lys says:

eu sei

Ione says:

muito mais legal que pegar seu filho se masturbando no banheiro

Lys says:

just as bad

Ione says:

que coisa mais... pudica

Ione says:

ele estava, ãm, se masturbando.

Lys says:

tu acha?

Ione says:

tava nada.

Lys says:

hahaha

Ione says:

tava descabelando o palhaço

Ione says:

criando pêlo na mão.

Lys says:

hahaha

Lys says:

pqp!

Lys says:

os homens são odiosos na nomenclatura sequiçual

Ione says:

ha ha ha ha ha

Lys says:

mas que é engraçado, é. e os nomes que eles dão para os ditos cujos? gee!

Ione says:

vai lá responder, pourra!

Lys says:

tá bom! tá bom! bully!

Ione says:

ha ha ah ah ah

Ione says:

só essa conversa dava um post.

Eu falei que eu não falava de séquiço, mas agora eu vou falar e ainda por cima vou fazer uma pergunta e todo mundo que for do sexo feminino, por favor

responda. Droga. Você sabia que tinha um limite de caracteres para o título? Eu não. Droga. Limitando a capacidade criativa da pessoa. Que pourra.

1. Enfim. Aí eu tô aqui revelando ao meu mocinho que é possível que uma moça, confortavelmente sentadinha, sei lá, no metrô, possa, fechando os olhos e tentando se concentrar decumforça, marturbar-se mentalmente a ponto de chegar ao big O. Eu ia colocar oh, que também fazia sentido, mas deixei assim. Assim, sem nem tocar ali. No botão.

Responda, em sua experiência, tal afirmação é:

( ) True;
( ) False.

2. Outra coisa que eu disse é que quando a moça tá assim, apaixonadinha, na hora de, ãm, rolar uma siririca, ela pensa no mocinho por quem ela está apaixonadinha. Tipo, eu poderia pensar em:




ou no marido da Gwyneth Paltrow - se não fosse pelo fato de que eu já acho bem estranho pensar no marido de outra, mesmo que seja uma pessoa de mentirinha, dessas de histórias de amãr que a gente vê no cinema. Mas o caso é que não. Eu penso mesmo é no meu mocinho e é uma coisa inevitável pensar no meu mocinho. Eu poderia tentar realmente decumforça pensar em Luke, especialmente barbado e com fantasia de Richie, e damnit, eu poderia pensar no próprio Richie, mesmo que ele tente cortar os pulsos por causa de quem?, rãm?, de Gwyneth, mas eu só penso no mocinho.

A moça pensa exclusivamente no mocinho por quem está apaixonada quando bate uma siririca, em sua experiência, é:

( ) True;
( ) False.

A casa agradece desde já pela colaboração. Isso muito me ajudará a manter meu rlelacionamento, bem como minhas relações sexuais, muito saudáveis.

03 outubro 2005

Diversidade linguística (ou Faça isso quando você estiver sem nada pra fazer)

engraçadas as soluções que os humanos encontram na hora do desespero.
eu, por exemplo: um ser a ponto de ter uma síncope nervosa, quase tendo um infarto aos 27 anos de idade, brainstorming dia e noite, descobri uma fuga (mais uma, fora a comida e as manias obsessivas-compulsivas) um tanto quanto idiota, mas que me manteve longe dos problemas por uns 3 minutos.
sabe aquela palavrinha que você tem que digitar antes de postar um comentário? é, aquela pra evitar spam... então, fiquei viajando horrores nelas.

"tpoihouo" me pareceu ser de uma língua indígena. já imaginei o cacique dizendo "tpoihouo, bahttu aloie", seja lá o que isso signifique.
"swjlscha" me lembrou um americano ou alemão tentando dizer o nome daquilo que a gente põe no cachorro quente.
"kxsrxt" já me parece ser a risada do Mutly.

é idiota, eu sei.. mas ai, como a Sada Abe disse, eu me dou o direito de ser idiota de vez enquando.

dia de chuva

Eu fiquei pensando em como está legal este blog, em como os temas se encaixam e como as peças são tão distintas, tão parecidas e tão plurais ao mesmo tempo.
E vinha há dias pensando em escrever sobre afinidade e intimidade. Em como nos tornamos tão íntimos de pessoas com as quais temos intimidade somente on line e como isso nos dá liberdade de falar sobre tudo e qualquer coisa e sentir que tem alguém lá do outro lado, em outra cidade sentindo o mesmo. E com este pensamento na cabeça e o teclado fora das mãos tive que ir fazer um trabalho na rua. Fui andando e aos poucos a chuva foi caindo e lembrei; "puts! tô sem guarda-chuva!" e imediatamente lembrei do meu amigo Alek's que tá em outra querência - numa querência londrina - e que odeia guarda-chuvas. Sem nenhum constrangimento deixei a chuva molhar meus cabelos recém pintados, minha blusa branca de joaninha e por um instante quase chorei de saudade... não sei nem bem do quê ou de quem, mas tenho tido um aperto no peito e uma falta que não sei explicar. Lembrei o que ele me escreveu e o que eu escrevi para ele noutro dia e pensei: "ele só podia ter me escrito mesmo num dia de chuva! Ah! Esse pirralho lá pertinho da rainha e me dizendo que tá com saudade da nossa terra!"
Então, com este sentimento de melancolia lembrei de um monte de amigos que estão longe do meu abraço mas tão pertinho do meu coração e do outro lado do monitor, sei lá eu a quantos quilometros de distância. Tá bem, faz tempo que não choro assim, sem saber porque, mas... acho que tô precisando me apaixonar e sempre penso que num dia de chuva seria bom, já que a água molha as plantas e as faz crescer. Assim ela molharia meu amor e eu e faria nosso sentimento crescer, crescer, até virar uma figueira centenária cheia de raízes e uma sombra frondosa para matearmos ao pé dela (ou cervejarmos).
É isso!

One-way ticket

Uma bomba explodiu no meu colo. Metáfora. Não é problema meu, diretamente, mas vai afetar um monte de gente que eu amo. E aí eu preciso dar apoio, ajudar a encontrar caminhos, mas eu não queria, porque a minha vida está tão acertadinha e calma. Eu queria pegar um avião para algum rincão onde não houvesse correio, telefone ou internet. Incomunicável, dormir e não pensar nisso, acordar e não pensar nisso. Deixar o mundo se virar sem mim. Porque chega uma hora em que a gente cansa de ser pilar de estrutura. Eu tenho rachaduras, e a Defesa Civil e o CREA já deviam ter me interditado há tempos. Eu nem faço nada da minha vida, com medo de virar ruína. Aí tenho que segurar a barra dos outros. Pode ser egoísmo, pode ser crueldade; eu não vou fugir, mas é só porque eu não posso.

E antes que alguém pergunte: não, eu não posso contar o que é. Porque, como eu disse, o problema não é meu.

Só a terapia salva.

02 outubro 2005

10 coisas que eu gosto em você

eu gosto do meu marido, sabe? as pessoas costumam gostar dele também, mas eu sempre repito que eu sou a que mais gosta dele no mundo. repito pra mim, claro. depois de 11 anos eu já pensei várias vezes que poderia ser que eu gostasse dele só por hábito. mas eu gosto mesmo. eu odeio quando ele não deixa eu falar "cara" no final de uma frase, tipo "bah, eu tava vendo essa merda de programa, cara!", e eu odeio de verdade quando eu estou me mijando e ele deixou a tampa do vaso levantada. mas eu gosto dele. mesmo.
eu gosto, por exemplo, do fato de que ele não faz nenhum barulho quando levanta antes de mim. eu não consigo fazer isso, porque vivo tropeçando nas coisas.
eu acho legal que ele seja pai dos meus filhos mesmo que os meus filhos tenham penas e ele tenha rinite alérgica.
eu odeio que ele gosta muito de chocolate e não dá pra comprar chocolate só pra mim nesta casa, mãns...
mas eu gosto que ele gosta de arroz unidos-venceremos, porque eu gosto assim e não vou fazer arroz soltinho, tá?
ele é chato pra caralho, tipo assim, muito velho, mas ele é muito engraçado, sabe?
ele não come carne nenhuma na face da terra e eu gosto que ele confia nas coisas que eu dou pra ele comer
e na última cólica renal que ele teve ele ficou bem quietinho porque eu estava dormindo e tinha que acordar cedo no outro dia
e ele chegou outro dia e eu tava no banho e ele me trouxe um chocolate novo que tem chocolate preto em cima, branco em baixo e morango cremoso no meio e deixou eu comer a maior parte
mas o que eu mais gosto nele é que ele continua casado comigo mesmo eu sendo a pessoa que mais come cebola e alho da face da terra. como diria Ione, tipo. eu como horrores de cebola. crua. e alho. cru. tipo, baita bafão. e ele fica na boa. até porque ele come tanta cebola e alho quanto eu. já pensou o trabalhão pra achar um cara desses? ops, eu falei CARA