13 outubro 2005

Teorias da Thata, agora também no Diafragma

Eu falo. Falo mesmo, mas gosto mais de fazer. Como as pessoas adoram colocar rótulos, todo mundo se choca quando eu falo. Fazer o que? Sinto o sangue pintar meu rosto de vermelho, mas, ainda assim, falo. Se me der 3 copos de cerveja então, aí eu falo tudo. Mas, olha, eu também não sou nenhuma especialista. E não vou falar nada sobre sécho aqui não porque meu pai lê meus blogs e convém que ele acredite no que for mais confortável pra ele...é cardíaco meu pai. Então no caso vamos falar de amãaar. Tenho algumas teorias sobre este assunto (tenho teorias sobre quase todos os assuntos, você sabe)

1- Você só está aqui por causa do amor. Pra você ser concebido, provávelmente duas pessoas se amaram, ainda que pelo curto intervalo de 15 minutos. Ah, não? Sua mãe foi estuprada? Então você está aqui porque ela te amou o suficiente pra não optar por um aborto. Você está aqui lendo esta mal traçada teoria porque alguém teve amor o suficiente pra te alimentar quando você dependia dos outros pra isso. E depois, quando você já não dependia do amor de ninguém, só continuou vivo por amor próprio. É isso: aonde há vida, há amor. E quanto mais amor, mais vida.

2- Uma parte do que a gente acredita sobre o amor entre homens e mulheres é uma grande inevenção. Aquela história de viveram felizes para sempre e final de novela com as pessoas casando e se multiplicando. Tudo culpa do romantismo. Na real, vocês pessoas espertas que lêem o Diafragma já devem ter percebido que não é nada disso. Uma hora a paixão acaba, a rotina toma conta e o caso só sobrevive se houver amor mesmo. Daí eu vejo um monte de gente se queixando que "aah, não é mais como era no começo.", "aaah, virou amizade." e puf, lá vão as pessoas terminar o rolo/namoro/casamento. E lá vão as pessoas perder a chance de ter ao seu lado um amor/amigo, de descobrir que às vezes dormir de conchinha é a melhor coisa, de construir uma história bonita e descobrir o prazer de se apaixonar muitas vezes pela mesma pessoa. Amor é insistência.

3- Essa quem me ensinou foi uma senhorinha, uma avó adotiva muito querida: amar é muito fácil, basta aceitar os defeitos dos outros.

É, acho que sobre amãaar, é isso que eu tenho a dizer. Não há nada melhor no mundo.

11 outubro 2005

odeio títulos

isso aí. rótulos também. e eu rotulo horrores. ok, eu falo de amor. de sexo também. de umbigo também. e da gordura na volta dele também.

com 16 eu conheci o grande amor da minha vida. menos de um ano depois, fiquei sabendo que eu era a pessoa que ele gostava. eu tinha corpo de atleta, que escondia, e um cabelão, que eu prendia (correr os 100 metros com o cabelo entrando nos olhos não rola). ele freiou, era romântico, e eu queria saber como eram as coisas, eu queria o tchã-nã-nã. por amor, lógico, mas o tchã-nã-nã. foi na minha cama, na colcha de pelúcia, entre minha estante de livros e o desenho em crayon na parede. doeu, fiquei 3 dias ardendo, e eu gostei. ainda gosto. não tenho vergonha, como eu achava que teria quando eu tinha 12 anos. ralei muito joelho, já fiz coisas que adolescentes fazem e que só depois de 10 anos se dão conta de que podiam ser pegos. sexo, nesse tempo todo aí (fez 10 anos que eu dei a primeira vez), sempre me pareceu coisa de amor. até por isso, dormir de conchinha e tomar banho junto me parece bem mais tri. minha geração, então, amou 20, deu pra 27, ficou com 39, e eu, uma ex atleta que hoje só corre quando vai pegar os ônibus da vida, só dei pra um cara. amei dois, e só dei pra um. isso aí. dei, transei, f***, *fiz amãr*, só pra um. o que me faz falta não é isso, aliás. eu gosto de corpo. de pegar. de sentir. de cheirar. mas se falta a palavra, se falta o beijinho demanhã quando vai embora pro trabalho (mesmo que eu esteja em coma de sono, né, Misha?), se falta me lavar a cabeça com shampoo como se eu ainda tivesse moleira demanhã quando estou morrendo de sono, isso me dói. se me falta isso, eu choro. eu faço beiço. pedaço de carne rasgando lá dentro, delicado ou com violência, pode demorar, pode ser de tremer o lustre, mas simplesmente passa. me deixou um dia sem dar beijinho de tchau, meu mundo cai e eu não suporto.

eu gosto de encaixar o dedo no umbigo. é confortável, quentinho. em torno dele, meu corpo de atleta foi esmagado por uma moça muito confortável, de óculos, que só tira fotos de si mesma com a máquina lá no alto, pra não aparecer a papada... eu sou grandona, e adoro falar de mim. é engraçado, mas com esse tamanho todo, eu preciso de colo. tenho peitões, e se eu dou uma porrada em alguém é capaz da pessoa achar que foi esmagada por um Scania. mas experimenta não me lavar o cabelo com shampoo demanhã enquanto eu me esforço pra acordar.

eu dei só pra um cara. o meu amor. pode ser que seja até o fim, pode ser que seja apenas o primeiro. mas eu dei, tá dado. só pra um cara. eu disse, eu não sei falar de sexo.

Desbocada - uma questão pessoal

Eu sou das que falam de sexo. E confesso que nem tinha percebido que isso podia me diferenciar ou classificar até fazer parte deste blog. Mas, claro, sempre fui uma criatura desligada demais, daquelas que tendem a atribuir ao mundo o que rola dentro do seu pequeno círculo de relacionamentos, e achava que, a essa altura do novo século, tudo era muito natural e adotado por todos.
Mas o que mais me espantou, num primeiro momento, foi descobrir que eu tinha escrito um post sobre sexo. Porque, olha que gozado, para mim aquele era apenas um post sobre mim e sobre como muitas mulheres apreendem o mundo. Uma coisa levou à outra, só isso. Para mim tocar crianças e revistas com os lábios ou gostar de fazer sexo oral eram coisas que tinham a mesma relevância.

Mas nada como se ver pelo olho do outro. Aí a Ione disse: "eu nunca, nunca, falarei de coisas relevantes, nem darei detalhes picantes, nem direi se lambo isso ou aquilo". Então entendi que a questã (como diria a própria moça) não é eu falar sobre, mas o fato que eu falo de sexo na primeira pessoa. Aliás, falo sobre tudo na primeira pessoa, como sabe quem já leu meus outros blogs. Como bem diria Henry, um dos primeiros homens a me ler por dentro, eu sou uma umbiguista.

E aí a moça Ione merecia mesmo um presente meu, se eu fosse possuidora de pilas. Porque ela jogou luz sobre um processo longo e inconsciente - e eu fiquei me conhecendo mais um tantinho. E, caraleo, como eu preciso me conhecer.

Bom, eu também já fui uma moça muito cagalhona, como diria a Ana Paula (num outro post que também me fez pensar um bocado). Ainda mais que eu não tinha belos olhos azuis nem corpinho de atleta - eu era gordinha, normalzinha e desbocada, um verdadeiro susto para os meninos normais. Daí que eu sempre me apaixonasse pelos esquisitos. Mas isso é outra história, outro dia venho aqui para falar de amor.
Mas, voltando ao assunto, aos dezenove eu perdi a virgindade com um moço que amava muito e, numa sorte quase inédita na minha geração, foi lindo. Bom, aí depois deste eu tive uns poucos namorandos e um ou outro ficante. E, aos vinte e quatro, eu casei - e passei um tempão casada.
Tá, Sada, e onde você quer chegar com isso, que mania de reescrever suas memórias... Quero chegar que, quando eu comecei a me separar, lá pelos trinta, eu estava requestionando tudo. Inclusive isso. E me dei conta de que me sentia muito limitada. Era tudo muito fofinho, muito lindo, mas ainda havia uma inquietação, uma curiosidade, uma não-resolvência dentro de mim sobre o assunto.
Como cada mulher é uma mulher, descobri que, para mim, sexo tinha uma importância muito maior do que eu permitia que tivesse na minha vida. Porque tinha aprendido que não era muito decente uma jovem senhora casada da minha idade ter tanto interesse e curiosidade sobre isso - ah, essa "carga de ter de ser de um jeito", como diria a Ana Paula.
Chegou ao cúmulo quando eu fui na terapeuta fazer bioenergética e meu primeiro chacra estava irradiando verde. Tem gente que nem crê nisso, mas enfim, para mim isso é tão ciência quanto a medicina comum. A corzinha normal dele é vermelha, que tem a ver com pulsão e é voltado para as defesas básicas. Verde é a cor do amor incondicional e altruísta. Eu estava, tentando resumir, renunciando à posse e usufruto do meu próprio corpo.

Aí eu fui atrás de conhecer coisas. E conversei com muitas pessoas, de todos os sexos possíveis e fiz perguntas. E li muito na internet, páginas oficiais e blogs, de todos os tipos. Românticos, BDSM, blogs eróticos de casais, blogs de gente inteligente que falava sobre sexo na terceira pessoa e outros na primeira, entusiastas do onanismo, do swing, lésbicas, gays. Todo mundo. Eu li sobre tudo, queria saber o que existia e como tudo repercutia em mim.
E, como dizem, quando o discípulo está pronto os mestres chegam. E chegaram e conheci pessoas e tive experiências significativas. E hoje em dia me sinto muito proprietária desse corpo aqui, sim, senhor.

O curioso é que (como se pode comprovar por uma série de configurações astrológicas que já citei muito e não vou repetir aqui) meu aprendizado se deu muito pela palavra que, para mim, é algo fundamental. E acaba se completando pela palavra, por esse blog. Vejam vocês.

Dei-me conta que, até então, talvez por ter tido tanta sorte nas minhas primeiras experiências, eu só conheci uma dimensão da sexualidade: a emocional, aquela que serve para a gente expressar o quanto ama um moço. Não nego que é o filé. Mas sexo é mais que isso e creio que, nessa vida, a gente merece tudo.
No post da Léli, ela fala sobre a importância de dizer o que se gosta para o moço e tudo. Concordo muito com ela, mas a verdade é que muitas vezes a gente não se permite descobrir o que gosta, porque colocou um rótulo de "não se faz" gigantesco nessa ou naquela área. A umbiguista repete seu slogan: "se conhecer é tudo!"
Descobri que só quando me permiti chamar (e que chamassem) meu próprio sexo por aquela "palavra horrorosa que começa com B" e tantas outras que boas moças não dizem, que eu me apropriei da dimensão erótica dele. Quando deixei de transar e comecei a f*** (mantenho o nível do blog de família, meninas, podem deixar), me tornei mais inteira. Para, claro, descobrir que muita coisa é boa e muita coisa vale, mas nenhuma bagaceirice vale tanto a pena quanto a que é feita com o amor da vida da gente. Porque amor também é carne.

Sei que o post ficou enorme e umbiguista ao extremo. Mas não podia deixar de agradecer ao tanto fazer pensar das gurias. E, de repente, vai que ele é útil para algum umbigo parecido com o meu por aí...

a tecnologia e suas mileuma utilidades

tá no jornal de domingo: empresas estão usando o Orkut como parte da seleção de novos funcionários. tem aquela coisa de currículo, entrevista, dinâmica de grupo e blablabla, mas agora eles também checam a sua vida orkutiana e provavelmente coloquem seu nome completo no Google pra ver o que aparece.

seria interessante, se não fosse polêmico. na matéria da Zero Hora, psicólogos "ensinam" a fazer um perfil "correto", como não fazer parte de comunidades de ódio (mesmo que seja "eu odeio quem tira meleca do nariz"), estar em comunidades relacionadas a profissão, evitar algumas fotos no álbum... aí fiquei pensando, pensando e cheguei a algumas constatações:

1) se existe uma "fórmula" pra se comportar nas entrevistas/dinâmicas de grupo e pra ter um profile no Orkut, então teoricamente estas coisas não servem muito. eu faço um profile "sério", seguindo todas as regras pra me mostrar uma excelente candidata, mas também faço um pessoal, sem meu nome completo (assim ninguém me encontra), com tudo que eu gostaria de ter, mas não "poderia" profissionalmente.
ah e outra coisa: o Brasil é ocupa uma generosa fatia de 75% do Orkut mundial. por que? porque uma criatura faz um perfil "profissional", outro pessoal, outro só do pau (sim, entrem numa comunidade de sexo e vejam quantos homens tem perfis só pro seu pau, com fotos e tudo), outro pro cachorro, outro pro casal afim de experiências novas (digite "casal" na busca por friends, tem uma penca)... entre quatro paredes (ou atrás de um teclado) muita gente faz coisas que nem imaginamos, sem que isso afete a qualidade do profissional.

2) se a empresa espera fazer um perfil psicológico do candidato só olhando suas fotos e as comunidades em que ele está, acho que está muito enganada. o argumento é que só entramos em comunidades que nos interessam, assim a gente mostra um pouco de como é. até tem um fundo de verdade, mas acho que isso acaba criando um pré-conceito que depois é difícil de desfazer. é como ver um cara na rua de camisa rosa e dizer "é viado". se eu não suporto alguma cantora e estou na comunidade "eu odeio Fulana" isso faz de mim uma psicopata com tendencias homicidas só porque tem a palavra "odeio" na jogada?

enfim, posso estar sendo radical, talvez eles não sejam assim tão faca na bota e só consultem o Orkut pra descargo de consciência, mas mesmo assim eu acho isso beeeeeeem complicado...

10 outubro 2005

O amor é outra coisa

Não sei se alguém daqui já leu um e-mail que diz isso. Ele fala da várias coisas que sentimos quando estamos apaixonados ou sentimos que amamos alguém e desdiz. Por exemplo: “sinto um aperto no coração quanto te vejo. Isso são gases o amor é outra coisa”. Eu não lembro de todos os tópicos e prometo procurá-lo. O e-mail me foi enviado por um homem, é claro.
Mas porque to falando nisso? Lembrei deste e-mail quando fiquei pensando no que a Ione escreveu num dos coments, “eu queria falar de amor”. Lembrei, pois fiquei pensando no que afinal é o amor? Será que os sinais são claros, coração acelerado, mãos suadas, frio na “espinha”, calafrios, rosto rubro, atropelo de idéias, confusão de pensamentos, palavras que faltam e um vazio que dói, às vezes quando estamos longe e por vezes quando estamos junto com o ser amado?
É incondicional, ou amor incondicional só o de mãe? Estamos preparadas para reconhecer o amor verdadeiro, ou estamos tão ansiosas por ele, que mesmo diante dos nossos olhos não conseguimos enxergar? Pode se um amigo, ou amizade é amor sem sexo? Existe sexo sem amor? Existe amor sem sécho?
São tantas e tantas perguntas que nos assolam quando paramos para pensar afinal o que é o amor, que aquela velha história de que não há como explicar só como sentir é o mais perto que chegamos do que é este sentimento que buscamos.
Certa vez uma mulher me disse que ela não buscava ninguém, que não queria ninguém, que o negócio dela era sexo e nada mais. Esta mulher é psicóloga, mas não chegou nem perto do que seria uma tentativa de convencimento sobre o tema. Eu acredito é no poetinha que dizia “ninguém é feliz sozinho”. Por mais que se tente falta algo, falta alguém. A Ana disse tudo não precisa sexo, dormir de conchinha é quase que o suficiente. Digo quase porque gosto, bastante de sexo.
Mas o assunto é o amor. Eu descobri que nesta vida encontrei, pelo menos uma alma gêmea. É não é um homem, lindo e maravilhoso, mas é alguém que está comigo desde que nasci. Nossos gostos são muito parecidos, nossa cumplicidade é enorme e nossa amizade é tudo o que eu preciso sempre. Minha mãe é uma das minhas almas gêmeas. Talvez eu nem chegue a encontrar outras, mas conheci reconhecer esta. Tá bom, talvez amor de mãe seja diferente de tudo aquilo que buscamos num homem, e é.
Eu considero que já amei e já fui amada, pelo menos três vezes, por homens diferentes e diferentes entre si. O primeiro eu conheci na Bahia. Ele era Brasiliense, professor de história, extremamente inteligente e gostava muito de cinema. Eu o adorava. Mas tinha alguns defeitinhos. É ninguém é perfeito. Sofria de ciúme crônico e esquecimento total. Sim, o primeiro mal me atingia porque ele tinha ciúme dos meus sobrinhos, isso demonstrava que talvez não tivéssemos filhos no futuro. O segundo era engraçado, quando não era um caso sério, pois ele esquecia até onde estacionava o carro. Pode?
Eu o amava muito e fiquei arrasada quando acabamos. Fiquei três anos sem namorar. Ficava com alguns caras, mas não rolava sexo.
O segundo amor é filho de um grande amigo. É lindo e hoje está casado. O romance acabou tão rápido quanto começou. Assim, sem explicação, sem nada. Esse relato parece música do Chico Buarque. Rsss
É o terceiro apesar dos pesares foi ótimo. Somos amigos até hoje, conversamos pelo MSN e ele me conta como estão as coisas e a filhinha dele. E o melhor de estar junto com ele era a cumplicidade. Acabamos criando códigos de intimidade, ele lembrava das bobagens e das piadas que eu falava e não achava estranho eu rir quando gozo.
Meus três amores são pessoas especiais, pena que com o primeiro eu perdi o contato. Agora meu coração está vago. Procuro um amor que goste de crianças, cachorros e plantas. Que goste de dividir as experiências boas e as ruins. Que goste de cinema, de música e de bons livros. Que lembre minhas piadas. Eu não me importo que olhe os gols do final de semana, mas sei lá, preferir assistir ao futebol todo o santo domingo não dá!, um lá que outro podemos negociar. Gosto de dançar e de passear no sol. Vou quase todo o final de semana para o sítio dos meus pais, coloco os pés descalços e tomo banho de arroio no verão. Enfim, sou uma guria bem legal, mas ainda tenho dúvidas sobre o que é o amor e como ele acontece. Se não é do seu interesse responder este anúncio (rss, brincadeira) opine sobre o que é o amor e como ele se manifesta.