07 dezembro 2005

Quebrando o clima natalino nO Diafragma


Se você quer me seguir,
Não é seguro.
Você não quer me trancar
Num quarto escuro.
Às vezes parece até que a gente deu um nó,
Hoje eu quero sair só.

(Lenine)


Sabe aquelas ocasiões em que a gente quer sair com as amigas, um grupo só de mulheres, para ver vitrines, ir ao cinema assistir a filmes que não sejam de porradaria ou simplesmente petiscar num bar conversando mulhercizes? Pois é, infelizmente algumas mulheres esquecem que existe isso e sempre estragam tudo aparecendo com os maridos a tiracolo quando marcamos alguma coisa desse tipo.

Eu até entendo que, quando se está no auge da paixão (aquele tempo de um ano, segundo pesquisas recentes), não se quer desgrudar do parceiro, aliás, nem se quer saber muito das amigas – os dois apaixonados se bastam. Mas, depois de alguns anos de casamento, querer levar o marido a todo canto que se vai me parece um tanto quanto esquisito; é quase uma prova de dominação do macho e de falta de individualidade da fêmea. Porque, pensem bem, alguém já viu homem levar a própria mulher ao chopp sagrado das sextas-feiras? Se tem mulher na mesa, podem crer que é “carne nova a ser abatida”, como eles mesmos descrevem delicadamente seus objetos de desejo.

Sempre me pareceu saudável preservar a linha divisória da individualidade, mesmo nos momentos de maiores arroubos amorosos. E não digo isso só para as mulheres, os homens também necessitam de espaço, de ter vida própria e interesses diversos. É preciso ter vontade de sair, para ter vontade de voltar para o lado do outro depois. Ou não?

não faz mal, não faz mal, limpa com jornal

Eu já comi panetone (chocotone, na verdade), eu já vi os prédios enfeitados com luzinhas, eu já ouvi (juro!) meu vizinho assoviando músicas de natal à 1 da manhã, eu já coloquei a árvorezinha de pano em cima da mesa, junto com a toalha de patchowork com motivos natalinos (que viraram respectivamente o brinquedo e a cama favoritos da gata). Eu já vi, inclusive, 2 papais-noéis de shopping se cumprimentando na troca de turnos - e isso foi realmente bonitinho. Então me diz, por que é que eu não consigo entrar no clima de Natal? Algo a ver com o fato de eu estar trabalhando insanamente POR CAUSA do Natal?

***

Não conseguirei escrever cartões pras pessoas queridas. Todas as minhas idéias natalinas e votos de ano-novo já foram gastas nos cartões de fim de ano dos queridos clientes da agência.

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Mas, assim, eu sou criança e fico esperando ansiosamente o Natal. Adoro! Família renunida, muitas comidas boas, as coisas que minha vó só faz nessa época, comidinhas italianas que nem vale a pena tentar explicar, só comendo, primos, agregados, amigo secreto, brigar com meu irmão porque ele comeu as cerejas todas, cheiros de todas as coisas boas, reza em volta da mesa, todos rindo e chorando. Como não gostar?

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E, por fim, uma histórinha natalina. Eu não me lembro nunca de ter acreditado em papai-noel. Eu só entrava na brincadeira, sabe? Mas também, a minha memória mais antiga envolvendo papai-noel é que eu estava sentada no chão da escolinha (eu devia ter uns 3 ou 4 anos, um cisco de gente mesmo) e as tias pediram pra gente fechar os olhos que o papai-neol ia aparecer. Mas eu espiei e vi, espantada, o zelador da escolinha vestindo a barba! Mas eu não contei pros meus pais que eu já sabia disso, pra eles não ficarem brabos que eu espiei. E não contei pra mais ningém também. Até hoje.

04 dezembro 2005

papai noel de maiô

o natal. festa que eu gosto. é bizarro eu dizer isso, né? mas eu adoro. principalmente porque na minha família nunca se disse ou acreditou que o natal era nascimento de jesus e que portanto deveríamos orar e pensar em boas coisas e reaver nosso senso de solidariedade. sempre tratamos o natal como uma festa de família, honestamente. pensa bem: o natal é uma data religiosa? duvido. minha noção de religiosidade é que, mesmo tu achando o natal um dia pra ficar em paz e dizer pras pessoas que ama elas e espalhar coisas boas, por que raios só se faz nesse dia? ser legal é um ritual agora, por algum acaso? tem que ter dia, e tem que ser em nome do filho do Homem?

lá em casa eu adoro o natal (diferente do ano novo, que nunca significou muito pra mim, sei lá por que...) porque é nesse dia que as pessoas que se gostam se juntam em torno de uma mesa, trazendo cada um uma comida, cada um falando uma besteira tão grande que sempre tem um que cai da cadeira de tanto rir (ou quebra a cadeira). nesse dia, as pessoas da minha família, que cada uma anda num canto e todos ocupados com suas vidas cheias de trabalho e compromisso ou em outras cidades, se reúnem sem nenhuma pressa de sair dali. lógico que sempre tem as coisas indesejáveis, porque parente também é serpente, mas isso é natural.

e depois tem o amigo secreto bizarro que a gente tem que inventar uma música, um poema ou uma história sobre o amigo antes, pra falar lá na hora da revelação. e comida boa, que eu adoro. boa comida simples feita em casa regada a muito azeite. e rabanadas. e meu pavê que sempre ficava derretido além da conta.

a diferença é que é um dia pra nos juntarmos, porque nos queremos bem o ano inteiro. e fazemos o bem o ano todo também. o cristo tem sorte se nasceu nesse dia, porque lá em casa deu a coincidência de fazermos uma festa bacana bem no dia dele. mas acredito que ele gosta mais, pelo que eu sei de como ele foi um sujeito de bom coração, que a gente seja bom os outros dias também.

eu recebi um arquivo por email, que fala das coisas que ... DEUS ... prepara pra humanidade. tipo. fulano, ciclano e beutrano não morreram no 11 de setembro porque ou tinham se atrasado pois estavam comprando donuts, ou levavam o filho no colégio, ou estavam colocando band-aid num machucado porque tinham resolvido colocar sapato novo naquele dia. por isso, diz a mensagem, quando temos contratempos, é ... DEUS ... nos colocando onde ele queria pra nos salvar. ou quando, de repente, recebemos uma coisa que tanto esperávamos e que não tínhamos condições de ter ... é uma mensagem de ... DEUS.

engraçado isso. tem gente que simplesmente passa sua vida inteira pedindo pra chover na seca mas morre de sede ou fome antes; que tem contratempo atrás de contratempo e nunca consegue nada dessa vida; que corre atrás das coisas boas com o coração bom e chega lá no fim e fica doente e morre sofrendo. me pergunto que coincidência boa é essa capaz de fazer com que todas as pessoas de certos países passem fome ou morram de aids? de fazer com que uma criança de sete anos deite meia hora mais cedo na cama e acabe tendo a cabeça explodida por uma bala perdida, ou que em todos os anos da vida de uma criança ela seja obrigada a ver os outros ganhando presentes e entenda que não chegou ainda a sua vez. que coincidência tão divina é essa
que quando eu menos espero me faz encontrar 100 pila na rua justamente quando cortaram a água lá de casa por falta de um pagamento de R$ 97,32? ... DEUS ... estava tão preocupado em me aliviar desse stress que não viu que tem gente que não come faz 5 dias?

onatal lá em casa é sagrado, porque nos juntamos à mesa e dizemos coisas boas pras pessoas que gostamos pela quadragésima vez no ano. e espero que cristo esteja bem satisfeito, porque nos meus aniversários às vezes era segunda, às vezes chovia, às vezes não ia ninguém, e nem sempre dava pra estar junto com todas as pessoas que eu gostava.

desejo o meu natal pra vocês: boa comida, boa gente, boas risadas e a mesma coisa de sempre, o bem. e ah: papai noel? o da coca-cola? aqui 40 graus e o papai noel de luva? coloca um maiô nesse véio!