07 julho 2006

De perto eu sou Anormal!

Nelson Rodrigues dizia que não eram “todas as mulheres que gostavam de apanhar, só as normais”. Tendo como base essa máxima do dramaturgo assumo, não sou normal! Talvez eu me enquadre em alguma das personagens do mestre do teatro que colocava, não só no teatro como em suas crônicas, a sociedade nua e crua. Mas como saber? Quem me conhece e conhece o teatro rodriguiano talvez diga: _ “bonitinha, mas ordinária”, “engraçadinha” ou, quem sabe, tem um belo “álbum de família”, e por aí vai. Fato é que realmente não sou normal!
Eu sempre fico pensando nisso, não como algo ruim e pesado, mas como algo engraçado e que mostra que realmente as pessoas são únicas, cada uma com seus traumas e taras. Para provar, ou comprovar, minha anormalidade trago a personagem de um outro mestre, Monteiro Lobato. O autor criou uma série de personagens com a cara do Brasil, usou as lendas e o nosso folclore para contar estórias e aproximou aquele mundo mágico da gente de uma forma verdadeira. A criatura de Lobato de quem eu mais gostava era a Cuca, do Sítio do Pica-pau Amarelo. Isso indo contra a corrente já que a maioria das crianças tinha medo dela e amavam a boneca de pano, Emília. Será que o fato de eu gostar daquele jacaré fêmea do papo amarelo, de cabelos loiros e grande calda que ficava horas e horas mexendo seu caldeirão me faz anormal? Bom, não importa, prefiro mesmo ser Anormal.
Vou dizer porque eu gostava da Cuca ao invés da Emília e seu pozinho de pirlimpimpim. A Cuca era uma bruxa, uma feiticeira, sempre as voltas com suas poções e tal e eu sempre adorei isso. Gosto de magias, feitiços e poções do bem. Aliás, outra personagem que recheava minha infância era a Jene (aquela que era um gênio e tinha um mestre, com quem se casou), queria ser ela que realizava qualquer deseja apenas piscando os olhos e sacudindo o rabo de cavalo. Mas voltando a Cuca. Ela tinha uma super auto-estima e realmente se amava, tanto que ficava se olhando no espelho e dizendo a si mesma, “lindona! lindona!”. Era prima do Saci e mesmo sendo a personagem má, que gostava de estragar os planos da turminha da Emília, era e é, ela a minha preferida.
Tá bem, eu também admirava a inteligência do sabugo de milho, o Visconde de Sabugosa. E adorava o Saci com sua risada alta, seu cachimbo e seus redemoinhos.
Ah! Porque poderia ser uma personagem rodriguiana? Segundo meu irmão caçula eu sou, mas seus argumentos são de que não sou normal e de que gosto de homens fora dos padrões de beleza. Pra falar a verdade, padrões não me agradam muito não. Falando nisso... e já que estamos nessa de personagens que marcaram a infância, meu super-herói favorito era o Hulk, ah! Claro! E a Mulher Maravilha, óbvio. Depois vinha meus companheiros de profissão Superman, na verdade mais o Clark e o Homem Aranha. Os dois últimos pelo trabalho com jornais, e os primeiros por serem eles os mais humanos deste mundo de heróis, apesar de um ser verde e o outro uma mulher muito forte.
Então, sou ou não sou um prato cheio para analistas, psiquiatras e psicólogos de plantão? Tudo bem podem analisar a vontade, realmente não sou normal. Aliás, tem outra máxima que diz: “de perto ninguém é normal”.