30 março 2006

Interessante é feio ou é surpreendentemente lindo?

Certa vez um amigo me disse que eu atribuía a uma pessoa a qualidade de ser interessante para evitar dizer que ela não era bonita. Isso nunca me ocorreu, embora para muitos, as gentes a que eu atribuo a qualidade de “interessantes” não sejam belas. Para mim interessante transcende o ser bonito. Nós vivemos numa sociedade massificada e todos já estão carecas de saber disso. A uniformização passou para as pessoas e para os gostos e gestos e tudo que compõe a individualidade de cada um. Houve um tempo em que para ser bonita a mulher deveria ser cheinha, hoje para ser belo deve-se ser alto, manequim 38 estilo super models. Eu nunca me enquadrei neste perfil primeiro porque tenho apenas 1,48 (e não sou anã não!), sempre fui (como diziam os antigos) fornida, e gosto de ser assim.
Ser interessante abrange muito mais do que um rosto lindo e a sintonia perfeita de um abdômen malhado, de coxas bem torneadas, cabelos super tratados, pele de seda, bunda (eu não digo bumbum nem que me paguem. Tá, se me pagarem eu digo!) arrebitada. Isso é ser bonito dentro dos padrões da sociedade moderna. Mas ser interessante avalia os quês que o outro tem e não te deixa desviar os olhos, é perceber que todo aquele ser tem uma beleza diferente apesar de ter muitas coisas comuns aos outros. Ser uma pessoa interessante abrange todo o pacote, sabe, corpo, mente, coração? Engloba o olhar, o olho, a cor, os cílios. Percebe a boca, os dentes, o sorriso e o riso. Destrói esta história de que bonitas são tais e tais criaturas. Porque que a Angelina Jolie é bonita? E o Brad Pitt? E o Gael? E a Nicole Kidman? Porque são únicos e diferentes de qualquer outra criatura. Vai lá no Pitangui e pede a cara da Angelina, isso vai te fazer ela, não, porque por trás daquele bocão e do corpão, que deixa milhares de marmanjos babando na gravata, tem uma mulher diferente e ao mesmo tempo igual a cada uma de nós.
A beleza vem imbuída de atitude, de ser bonita, vai além do “se sentir” – porque isso acaba tornando a pessoa feia de verdade.
É por isso que eu adoro a propaganda do Albani. As pessoas deveriam se orgulhar de ser “diferentemente belo, surpreendentemente lindo”. Basta ver que o comercial tem sua música interpretada por diferentes cantores e cantoras, com estilos diferentes e é muito bom aquele jingle.
Porque ser bonito ao invés de interessante? Porque perder a oportunidade de ser surpreendentemente belo para ser magrinha igual há 200 mil pessoas que também são exatamente iguais e usam as mesmas marcas, o mesmo estilo? Cadê a individualidade?
Eu prefiro ser interessante, até para poder ser surpreendentemente bela, diferentemente linda. Claro que me cuido para ter uma boa qualidade de vida, ser saudável, caminho para manter a forma, para não enferrujar as juntas, cuido das unhas, pinto o cabelo, passo cremes, mas nada de excessos. Esses cuidados todos para mim são demonstrações de amor e carinho pra mim mesma. Além disso, concordo com o ditado popular que diz que “a beleza está nos olhos de quem vê”.
Escrevi tudo isso porque hoje em pleno centro da cidade eu vi uma menina dos seus 16, 17 anos passeando toda de barriguinha de fora, apesar do frio, e o povo todo olhando como se fosse algo tão incomum. A guria era bonita, magrinha, tudo no lugar, calça de ginástica e moletom tipo bolerinho, sabe, que tapa só um pedaço das costelas abaixo do busto? Pois é, vi aquela moça e logo em seguida vi algumas meninas estilo hipies, darks e lembrei do ser interessante, pensei que isso daria um post bem legal para O Diafragma. Tá’qui. E aí, vocês se deixam levar pela corpolatria??