25 abril 2006

A moda e a adoção de crianças

Nós já falamos aqui de instinto materno e dos nossos desejos de ser mãe. Eu não tenho a menor dúvida – e não adianta tentar desmentir – que todas nós possuímos esse sentimento. Basta ver que por opção ou por falta de oportunidade financeira ou afetiva (ter o homem adequado para tal) escolhemos ser mães de forma alternativa. Com exceção da Angélica que não nos agraciou com suas poesias por aqui por isso não tenho certeza de sua maternidade, todas as outras são mães de alguma espécie de vida seja animal, vegetal ou humana mesmo. Eu tomei a liberdade de adotar meus sobrinhos como filhotes especiais e não apenas mimo as crianças ralho e coloco de castigo quando necessário. A Ana e seu esposo têm três lindos e voadores “filhotinhos”, coisa-mais-linda da tia! (Viram?) A Carole é mamuska de gatitos e pajaritos. A Thata tem a Joaninha e a Lys tem uma cachorra. A Sada... não tenho bem certeza, mas creio que é uma cachorra (perdão Sada, mas não lembro mesmo). A Ione, sim, a Ione, tem um cão.
Muito bem! Arroladas as provas de que todas de alguma forma possuem um ente para quem transferem todo o seu amor e devoção materna, vamos ao assunto polêmico. Está bem Pablito, extinto paterno também.
Já, há alguns dias eu li uma crônica da Maria Wagner, editora de Cultura do Jornal do Comércio. Neste texto ela elogia as adoções feitas por Angelina Jolie e Brad Pitt e questiona a moda que esta virando febre entre as estrelas americanas. Ela citou como seguidoras do belo exemplo de Angelina as também atrizes Queen Latifah e Jéssica Simpson que declararam seu desejo de se tornarem mães adotivas. Mas não foram elas o motivo da polêmica em seu texto, mas o fato de Ashton Kutcher namorado de Demi Moore que se manifestou dizendo que também desejava adotar junto com ela. O pior foi falar que “todo mundo está adotando bebês agora, é a nova moda”.
Particularmente acho este cara um idiota por dizer isso. Vejo o exemplo de Angelina e de Brad Pitt com ótimos olhos. Sei que a pessoa que opta por adotar crianças deve passar por momentos de conflitos, talvez adotar seja uma decisão ainda mais pesada e importante do que gerar um filho no próprio ventre. No caso deles em que as crianças são negras talvez tenha havido algo mais a se pensar, já que ambos são loiros de olhos claros. Tem que ter muito amor para dar, tem que ter muita solidariedade, muito carinho, muito tudo para se tomar a importante decisão de ser pai ou mãe de alguém, porque do momento em que outra vida depende de ti tudo muda. Imaginem então adotar estes anjos que ficam órfãos nas guerras ou que foram abandonados por inúmeros e incontáveis motivos quanto amor mais não é necessário que se tenha? É preciso amor de MÃE, aquele amor que é incondicional e que não é possível pôr em palavras tal a magnitude dele. É um sentimento maior do que qualquer um de nós para que alguém tome a decisão por que é moda.
Deveria ser moda deixar de ser fútil e insensível. Não melhor não, porque moda acaba, passa e precisamos de sentimentos permanentes. Precisamos, quem sabe, seguir o exemplo de um cara que viveu milhões de anos antes de nós, foi morto violentamente e só nos deu mostras e palavras da necessidade de amar aos outros.
Não é possível deixar de pensar em como podem ficar os filhos adotivos deste Ashton caso chegue adotar realmente uma criança. Como viverão estas crianças quando a moda passar e as estrelas tiverem outros adereços para combinar? Elas voltarão a ser órfãs? Que gaveta do guarda-roupas irão ocupar? Ter um filho, adotivo ou não, vai muito além do desejo momentâneo. É mais importante que casar, que escolher que carreira irá seguir, que sapato irá calçar, que camisa combina com que calça. FI-LHO -É –PA-RA –SEM-PRE! Não existe divórcio de filho, embora alguns pais pensem que se separando da mãe se separam dos filhos e deu pensão não precisa carinho.
Já cansamos de ver por aí que o menino ou a menina ficaram rebeldes porque descobriram que eram adotados. Para algumas pessoas eu já disse isso, acho que se eu descobrisse que sou adotada amaria ainda mais meus pais. Sim amaria intensa e imensamente mais porque eu fui escolhida para ser filha deles. O filho adotivo é escolhido, diferentemente do filho biológico que é feito e só depois de nove meses se saberá como será, qual sexo tem. Claro que não é simples, poderia existir o sentimento de rejeição, o questionamento natural de quem é minha mãe biológica e porque me deixou, mas com certeza jamais me sentiria menos amada por isso. Acho!
Bem concluindo, gostaria de saber dos debatedores d’O Diafragma qual as opiniões em relação ao tema. O que acham destes exemplos – alegres e tristes – de amor de mãe e pai adotivos? Quando se fala em adoção qual é a primeira coisa que lhes vêm à mente? O que determinaria nas suas decisões?

PS.: É isso aí Pablo, agora estamos usando o desfibrilador, pode ser que dê certo esta tentativa de ressuscitar o blog.