03 janeiro 2007

Vou deixar que o deserto me engula

Nunca pensei que fosse pensar desse jeito! Embora já tenha aberto mão de um amor para que as pessoas, outras pessoas fossem felizes, nunca tinha pensado que sentiria assim, uma dor tão lancinante que me faz tremer. Realmente, depois de ver e perceber quem está a minha volta percebo que não o amo. Ou talvez eu o ame, mas... ele não me ama. Não fiz lista com resoluções de ano novo. Só sei que meus planos são de ser feliz e ponto final. E se por um lado ser feliz requer amar, e amar é, como já bem disse Djavan, “um deserto e seus temores” vou deixar que o deserto me engula. Vou esquecer o medo de pular da ponte, afinal, mesmo sem querer pular eu escorreguei e caí e no final não foi tão ruim e havia muitas pessoas a me amparar.
Tenho tantas possibilidades, tantos possíveis começos. Vou definitivamente deixar as velhas cartas de amor, as lembranças e ilusões para trás e vou apenas mirar o que está diante dos meus olhos. Afinal... cada um deles refez seus planos. Alguns voltaram como bons amigos, amigos leais e legais. Outros ficaram perdidos, ficou a lembrança apenas e para momentos de nostalgia isso basta. Mas decidi que não quero mais ilusões. Chega, chega de ilusões. Ou do contrário, qualquer dia me olho no espelho e verei apenas a ilusão do que sou. Serei um espectro, um fantasma de mim mesma. Algo fora do meu corpo, algo que não suporta o corpo ou o que o corpo não suporta.
Ouquéi, os prazeres do corpo me fazem feliz! Mas só fui realmente feliz quando, junto com o prazer do corpo tinha alguma cumplicidade de sentimento. Pode até ser uma idéia romântica. É, é uma idéia romântica, só que as outras idéias, sem romantismo, não deram certo. Tentei ser moderna, não funcionou, sempre fui benevolente no fato de não cobrar um compromisso, fui entendida de forma errada, ao invés de acharem que eu tinha uma cabeça boa pensaram que eu não me interessava por dividir, por conviver, em ter uma vida em comum.
Pois muito bem, agora vou esquecer todas as tentativas anteriores. Inclusive aquelas que deram certo por alguns meses e vou tentar de forma nova. O frio na barriga se renova a cada nova frase que escrevo, mas tenho que ter coragem de pular da ponte, lá embaixo a água vai amortecer minha queda, minha família vai estar lá para me dar a mão. Se não der certo... é só fazer a volta subir na ponte e pular de novo. Como já disse, vou deixar que o deserto me engula.