30 junho 2008

Pais e filhos

Apesar de ter uma veia feminista, pelo menos é o que dizem os que me conhecem, eu considero que toda a criança deve ter um pai e uma mãe. Não apenas para ter casa, comidinha quentinha e colo, mas para crescer saudável, feliz e ter, sobretudo o amor que todo o ser humano deve ter. E mais que ter pais, é importante ter bons pais, responsáveis e que, mesmo sem saber como é ser pai, sem estar preparado, que queira aprender a sê-lo.
Não tenho filhos e não sei direito se vou ter algum dia. O mundo caótico em que vivemos não transmite confiança, nem dá vontade de por mais uma pessoa nele. Depois, porque todas as pessoas acham que como não casei até os trinta tá na hora de fazer um filho só para, no futuro, não ter uma velhice tão solitária. Já ouvi de várias bocas coisas tipo "faz uma produção independente", "escolhe um homem qualquer e faz um bebêzinho só pra ti". As expressões me impressionam porque há anos atrás isso seria impensável, afinal, onde já se viu uma mulher solteira tendo filhos por aí, sem pai. Mas o que na verdade mais me incomoda é a coisa de fazer um filho para não ficar sozinha na velhice. Então os filhos são bengalas para as velhinhas sem marido?
É claro, que já pensei sim em ter um filho ou filha. Mas acho que se fosse fazer um seria com alguém por quem tivesse muito carinho e amizade. Ao contrário do que as pessoas possam pensar, não faria sem a permissão do pai. Primeiro porque o cara tem direito de saber que é pai e segundo porque a criança sempre quer saber quem é, onde está o pai. Já vi situações assim e por melhores, mais bem preparadas e amorosas que sejam as mães o pai é uma figura importante, ainda mais na vida de um menino.
Também tem aquela gravidez acidental. Neste caso, a situação é mais complicada. O pai bem pode não querer o filho e no caso de o casal ter usado um método anticoncepcional há muito o que se conversar, mas... se a contracepção é uma preocupação apenas da mulher a coisa muda de figura. Neste caso defendo que a decisão de ter ou não um filho deve ser da mulher, caso o pai, mesmo sem ter se prevenido para não ter um rebento, o cara não queira a cria.
Parece extremismo demais, no entanto, as estatísticas mostram que quem realmente assume a maioria das famílias no Brasil são as mulheres. As avós assumem seus filhos e os filhos dos seus filhos, dando casa, comida, educação e carinho. Sendo assim, porque não ser ela a resolver se quer ou não ter o filho?
É óbvio que eu defendo a pílula, o uso da camisinha e o planejamento familiar. Nada de sair por aí transando com quem quer sem pensar nas conseqüências. É por defender os métodos contraceptivos existentes e eficazes em 90% que sou contra o aborto. Há casos possíveis para o aborto, risco de vida (de mãe e filho), aquelas doenças congenitas em que o bebê morreria em questão de dias ou horas, estupro e acho que são estas.
Defendo a vida. E defendo que os filhos tenham bons pais, para serem pessoas boas na vida. Talvez eu nunca venha a ter um filho nascido de minhas entranhas, mas se o tiver quero que tenha um pai presente. Apesar de saber que as estatísticas mostram as mulheres sempre guerreiras e fortes defendendo suas crias com unhas e dentes, sei que compartilhar as alegrias e as dificuldades de botar um filho no mundo pode ser muito mais prazerosa se for compartilhada com alguém que queira um futuro melhor para humanidade deixar uma boa semente da gente.